Que resultados podemos esperar da Aquablação no tratamento da próstata aumentada? E qual é o seu impacto na continência urinária e na função sexual dos doentes?
No Instituto da Próstata, avaliámos os resultados dos nossos primeiros 100 doentes tratados com Aquablação e apresentámos a nossa experiência clínica no XIX Congresso da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Minimamente Invasiva, realizado em Tomar.
Participei neste encontro científico juntamente com o meu colega Dr. Sandro Gaspar, onde apresentámos dois trabalhos sobre a utilização desta técnica no tratamento da HBP.
Neste artigo, explico o que revelaram os resultados aos seis meses nos primeiros doentes tratados com esta técnica, a importância da preservação da função sexual e o que aprendemos com o tratamento de uma próstata de dimensões particularmente elevadas.
Resumo rápido: A nossa experiência clínica demonstrou uma melhoria significativa dos sintomas urinários, com preservação da continência e da função eréctil em todos os doentes avaliados e da ejaculação em 90% dos casos. Apresentámos ainda um caso clínico de uma próstata de 400 cc, tratado com sucesso através de Aquablação. Estes resultados são consistentes com a evidência científica internacional, mas devem ser interpretados de acordo com as características de cada doente.
Quais foram os resultados da Aquablação nos primeiros 100 doentes tratados?

A avaliação aos seis meses dos primeiros 100 doentes tratados com Aquablação no Instituto da Próstata revelou uma melhoria muito significativa dos sintomas urinários, com uma reduzida incidência de efeitos secundários.
Entre os principais resultados clínicos que apresentámos no XIX Congresso da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Minimamente Invasiva, destacam-se:
- 100% de preservação da continência urinária nos doentes avaliados;
- 100% de preservação da função eréctil nos doentes tratados;
- 90% de preservação da ejaculação nos casos avaliados.

Os resultados que obtivemos são encorajadores e importa destacar que correspondem à experiência clínica nos primeiros doentes tratados com esta técnica, com um período de avaliação de seis meses. O acompanhamento a longo prazo continua a ser necessário para avaliar a evolução dos doentes, mas os resultados dos doentes tratados posteriormente tendem a ser ainda superiores, dada a experiência crescente e mais consolidada.
Se pretende saber mais sobre o procedimento, a Aquablação é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva que utiliza um jacto de água controlado por um sistema robótico para remover o tecido prostático responsável pela obstrução urinária.
Porque é importante preservar a função sexual no tratamento da HBP?
Estes resultados são particularmente relevantes porque, quando tratamos um homem com HBP, o nosso objectivo não é apenas melhorar o fluxo urinário ou reduzir a dificuldade em urinar. É também procurar que o doente mantenha a sua qualidade de vida depois do tratamento.
Aliás, uma das preocupações mais frequentes dos nossos doentes é precisamente o receio de que a cirurgia possa afectar o controlo urinário ou a vida sexual.
Esta preocupação é legítima, uma vez que algumas técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento da HBP podem provocar alterações na ejaculação ou, menos frequentemente, na função eréctil.

É importante distinguir estas duas funções:
- Função eréctil: capacidade de obter e manter uma erecção.
- Função ejaculatória: capacidade de expulsar sémen durante o orgasmo.
Uma das alterações que pode ocorrer após a cirurgia é a ejaculação retrógrada, situação em que o sémen passa para a bexiga em vez de ser expelido pela uretra. Embora não impeça necessariamente o orgasmo, pode afectar a satisfação sexual e a fertilidade.
É por isso que valorizo a preservação das funções eréctil e ejaculatória quando avalio as opções de tratamento da HBP. Mais do que melhorar os sintomas urinários, procuramos que o tratamento tenha o menor impacto possível na vida sexual e na qualidade de vida dos nossos doentes.
Conheça o tratamento de Aquablação para HBP
O que dizem os estudos científicos sobre a eficácia da Aquablação na HBP?
Os resultados que apresentámos encontram suporte na investigação científica internacional.
O estudo clínico WATER comparou a Aquablação com a ressecção transuretral da próstata (RTU-P), uma das técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento da HBP.
No estudo, a disfunção ejaculatória associada ao procedimento foi menos frequente nos homens tratados com Aquablação. O acompanhamento aos cinco anos demonstrou também a manutenção dos benefícios na melhoria dos sintomas urinários.
As orientações da Associação Europeia de Urologia (EAU) reconhecem também a menor incidência de alterações ejaculatórias associada à Aquablação, considerando-a uma alternativa terapêutica particularmente relevante quando a preservação da ejaculação é uma prioridade.
É importante salientar que nenhuma técnica garante a ausência de efeitos secundários. No entanto, estes dados ajudam-nos a escolher o tratamento com base não apenas na eficácia, mas também nas funções que pretendemos preservar.
É possível tratar uma próstata de 400 cc com Aquablação? Veja o nosso caso clínico
Um dos trabalhos que apresentámos no Congresso foi dedicado a um caso clínico particularmente desafiante: um doente com uma próstata de 400 cc, tratado com Aquablação.

Para compreender a dimensão deste caso, basta considerar que uma próstata normal num adulto jovem tem habitualmente cerca de 20 a 25 cc.
Estamos, portanto, perante uma próstata com um volume muito superior ao habitual, situação que pode tornar o tratamento cirúrgico mais complexo.
Neste doente, conseguimos realizar o tratamento com Aquablação, obtendo uma melhoria significativa das queixas urinárias, sem efeitos secundários reportados na avaliação apresentada.
Este caso é particularmente importante porque demonstra a possibilidade de aplicar a técnica a situações que exigem uma avaliação e um planeamento cirúrgico especialmente cuidadosos.
Contudo, não significa que todos os homens com próstatas destas dimensões sejam candidatos à Aquablação. A decisão depende sempre das características anatómicas, do estado de saúde e dos riscos individuais.
Quais são os resultados da Aquablação em próstatas de grandes dimensões?
A investigação internacional tem demonstrado resultados favoráveis da Aquablação no tratamento de próstatas de grandes dimensões.
No estudo multicêntrico WATER II, foram acompanhados 101 homens com próstatas entre 80 e 150 cc.
Aos cinco anos, verificou-se uma melhoria sustentada dos sintomas urinários, com uma redução da pontuação média do International Prostate Symptom Score (IPSS), de 22,6 para 6,8 pontos, entre os participantes avaliados nesse período.
O estudo demonstrou ainda que, aos cinco anos, a probabilidade estimada de não necessitar de uma nova intervenção cirúrgica para a HBP era de 96,3%.
Estes resultados mostram que a Aquablação pode proporcionar benefícios duradouros em homens com próstatas volumosas.
Contudo, importa distinguir a evidência científica internacional da nossa experiência clínica. O estudo WATER II avaliou próstatas entre 80 e 150 cc, enquanto que na nossa experiência tratamos doentes com próstatas de volume superior - incluindo o caso que apresentámos, que envolveu uma próstata de 400 cc.
A evidência científica disponível para volumes tão elevados é ainda limitada. Por isso, este caso assume particular relevância ao documentar a utilização da Aquablação numa próstata com dimensões muito superiores às habitualmente estudadas nos principais ensaios clínicos.
Saiba mais sobre os especialistas que acompanham os nossos doentes e a experiência da nossa equipa em Urologia.
Conheça a equipa médica do Instituto da Próstata
A Aquablação é indicada para todos os homens com próstata aumentada?

Apesar dos resultados favoráveis que obtivemos, a Aquablação não é necessariamente a melhor opção para todos os homens com Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP).
Na consulta, avalio diferentes factores antes de recomendar um tratamento:
- A intensidade dos sintomas urinários e o seu impacto na qualidade de vida;
- O volume e as características anatómicas da próstata;
- A resposta aos medicamentos ou a outros tratamentos anteriores;
- A idade, o estado geral de saúde e as doenças associadas;
- A importância da preservação da função sexual;
- Os benefícios e riscos das diferentes opções disponíveis.
Embora existam estudos com resultados favoráveis em próstatas de diferentes dimensões, a escolha do tratamento deve ser sempre individualizada.
É precisamente por isso que, antes de decidir avançar para uma intervenção, procuro compreender não apenas a doença, mas também as expectativas e prioridades de cada doente.
O que significam estes resultados para os homens com HBP?
A experiência que temos vindo a desenvolver no Instituto da Próstata reforça a importância de avaliar os resultados dos tratamentos não apenas pela melhoria dos sintomas urinários, mas também pelo seu impacto na qualidade de vida dos doentes.
Para mim, tratar a próstata aumentada não significa apenas resolver uma obstrução urinária. Significa procurar que cada homem possa recuperar o seu bem-estar, preservando, sempre que possível, a continência urinária e a função sexual.
É esta perspectiva que orienta a nossa prática clínica e a escolha das opções de tratamento mais adequadas a cada situação.
Se tem sintomas urinários associados à próstata aumentada ou pretende conhecer as opções de tratamento disponíveis, uma consulta de Urologia permite avaliar o seu caso e esclarecer quais as soluções mais adequadas.
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Referências científicas
European Association of Urology. EAU Guidelines on the Management of Non-neurogenic Male LUTS. Consultar as orientações clínicas.
Gilling et al. (2022). Five-year outcomes for Aquablation therapy compared to TURP: results from a double-blind, randomized trial in men with LUTS due to BPH. Consultar o estudo WATER.
Bhojani et al. (2023). Aquablation Therapy in Large Prostates (80–150 mL): Final WATER II 5-Year Clinical Trial Results. Consultar o estudo WATER II.

