12 perguntas frequentes sobre o Toque Rectal

O Toque Rectal continua a ser o pesadelo de muitos homens, despertando ainda alguma resistência.

Contudo, é inegável o seu contributo para um diagnóstico mais correcto nas patologias da próstata, o que, naturalmente, beneficia a abordagem de qualquer situação clínica e a melhor definição da estratégia de tratamento.

Mas por que é tão importante? E como é realizado?

Estas e outras questões frequentes vão ser respondidas neste artigo.

 

1. Que informações permite o Toque Rectal obter?

O Toque Rectal é mais frequentemente conhecido como sendo um exame de rotina à próstata que permite conhecer, através da palpação, alguns dados relativamente à glândula, nomeadamente:

  • Dimensões aproximadas;
  • Limites;
  • Eventuais pontos de dor e/ou com sensibilidade;
  • Consistência.

Além do mais, com este exame de toque da próstata é ainda possível analisar a sua superfície - lisa ou com irregularidades ou saliências e a presença de eventuais nódulos suspeitos

Por outro lado, permite também avaliar o estado de outras estruturas além da próstata, nomeadamente o recto e o ânus, assim como a capacidade de contracção e relaxamento dos esfíncteres anais, interno e externo.

 

2. Qual a utilidade do Toque Rectal?

Ainda que as características da próstata possam variar consoante a pessoa, existem padrões considerados normais que servem como guias.

Isto significa que, tendo estas orientações em mente, ao palpar a próstata é possível detectar eventuais alterações na consistência dos tecidos prostáticos e na sua estrutura que podem indicar algum problema.

Então, o Toque Rectal pode ser muito útil para rastrear doenças prostáticas, como por exemplo o cancro, se existirem nódulos ou irregularidades na superfície, ou a Hiperplasia Benigna da Próstata, se o tamanho ultrapassar o normal – infelizmente, ambas as patologias são muito comuns.

No caso do cancro, por exemplo, este exame é particularmente útil para detectar casos precoces - em que, muitas vezes, ainda não são sentidos sintomas – e que, por isso, têm mais hipóteses de cura.

Afinal, durante o toque avalia-se a parte posterior da próstata, conhecida como zona periférica, onde geralmente se desenvolvem os tumores malignos.

Em casos positivos, o Toque Rectal permite também:

  • Definir o estadiamento da doença - é o que dita a abordagem terapêutica;
  • Avaliar o sucesso do tratamento.

No fundo, este exame é necessário para conhecer a anatomia e singularidades de cada próstata, fundamental para definir a situação clínica de forma mais precisa e identificar problemas mais rapidamente.

Por último, a sua utilidade baseia-se também no facto de não poder ser substituído por nenhum outro exame – afinal, é o único que permite sentir a próstata.

 

3. Em que consiste um Toque Rectal considerado normal?

Um exame de Toque Rectal considerado normal é aquele que não detecta anomalias.

Isto significa que não são identificadas grandes diferenças na próstata em relação aos parÂmetros e padrões normais:

  • Tamanho aproximado de uma noz;
  • Superfície lisa e regular;
  • Sem nódulos ou pontos de dor;
  • Consistência elástica.

Para quem já realizou Toque Rectal noutras ocasiões e já conhece a anatomia da própria próstata pode usar esses dados como referência - nestes casos, um exame normal é aquele que não identifica diferenças consideráveis desde a última vez em que foi realizado.

Ainda assim, não se esqueça que algumas alterações são habituais, como por exemplo o aumento ligeiro de tamanho com o avançar da idade.

De qualquer forma, só o médico conseguirá avaliar os dados com precisão e estabelecer um resultado.

 

4. Como se processa o Toque Rectal?

Este exame é realizado em consultório.

A posição do paciente pode variar consoante o médico. As hipóteses são as seguintes:

  • Deitado de barriga para cima, com os joelhos flectidos;
  • Deitado sob o lado esquerdo, com as pernas flectidas na direcção do peito;
  • De pé, inclinado sobre a marquesa;
  • Deitado de barriga para baixo sobre os joelhos (menos habitual).

 

Após escolher a posição, o processo desenrola-se da seguinte forma:

  1. O médico coloca uma luva e lubrifica o dedo indicador;
  2. A ponta do dedo é introduzida no ânus do paciente, lenta e cuidadosamente;
  3. É feita a palpação dos tecidos da zona rectal inferior e depois da zona posterior da próstata;
  4. O médico pode, simultaneamente e com a outra mão, ir pressionando a região pélvica ou abdominal para facilitar a identificação de outras eventuais alterações;
  5. Pode ser pedido que o paciente aperte os músculos do ânus em torno do dedo para avaliar a sua capacidade (tonicidade).

 

5. O exame do toque da Próstata é doloroso?

Realizar o Toque Rectal pode não ser fácil para muitos homens, principalmente para quem o faz pela primeira vez.

É por isso que é tão importante estar informado acerca do procedimento, de forma a ultrapassar algumas preocupações. O médico que o realiza deverá ter experiência nesta avaliação. Deverá ainda fornecer-lhe algumas indicações adicionais de forma a tornar o exame o mais confortável possível (em relação à respiração, ao relaxamento muscular de algumas zonas do corpo, etc.) 

Este é um exame rápido, durando apenas alguns segundos ou, no máximo, um minuto.

Assim, ainda que possa existir um ligeiro desconforto, especialmente se existirem fissuras anais, hemorróidas ou outras patologias anais ou da próstata, não costuma provocar dor.

Afinal, o médico utiliza lubrificante no dedo introduzido, de forma a proporcionar o maior conforto ao paciente.

De qualquer forma, exponha as suas dúvidas antes de se submeter ao exame – verá que muitas ideias preconcebidas são irrealistas.

 

6. Quando são conhecidos os resultados?

Logo após o exame o médico irá partilhar o que analisou.

Se o resultado for normal, voltará a repetir o Toque Rectal na próxima consulta de rotina, habitualmente com periodicidade anual.

Caso existam dúvidas ou sejam detectadas alterações na próstata, geralmente são pedidos outros exames, como a análise ao PSAecografiaressonância magnéticabiópsia prostática (em caso de suspeita de cancro) ou outros, de forma a clarificar o diagnóstico – neste caso, terá de esperar pelos resultados.

 

7. Que tipo de médico pode realizar um Toque Rectal?

Qualquer profissional médico.

Todavia, o ideal é que seja realizado por um médico com experiência na realização deste exame, um Urologista - como em qualquer situação, a experiência beneficia o processo.

 

8. A partir de que idade o exame do toque da Próstata deve começar a ser realizado?

Dado que as doenças prostáticas costumam ser mais frequentes a partir dos 45/50 anos, é por volta dessa altura que o Toque Rectal deve começar a ser realizado nas consultas de rotina.

Contudo, pode ser efectuado mais cedo se existirem queixas urinárias, diferentes do padrão habitual, indicadoras de alguma condição, ou se for identificado algum dos factores de risco que aumentam a probabilidade para doenças da próstata.

Isto é, o paciente deve realizar o exame de toque da próstata antes dos 50 anos se:

  • Tiver histórico familiar de problemas na próstata;
  • Sofrer de sintomas do trato urinário (noctúria, aumento da frequência miccional, incontinência, incapacidade de expulsar urina, entre outros).
  • For de raça negra;
  • Tiver um nível de testosterona muito elevado;
  • Praticar hábitos de alimentação pouco saudáveis;
  • For obeso;
  • Estiver exposto a produtos tóxicos;
  • Tiver diabetes (relevante quanto à Hiperplasia Benigna da Próstata).

Quando Fazer O Exame Toque Retal

Resumindo: de acordo com a American Cancer Society, os pacientes de risco médio devem realizar o Toque Rectal a partir dos 50 anos, os de raça negra e com histórico familiar de doença antes da sexta década de vida a partir dos 45 anos e aqueles com mais de um parente em primeiro grau com cancro precoce a partir dos 40.

Além disso, existem outras razões para realizar o Toque Rectal, nomeadamente dor rectal, perineal ou abdominal, obstipação, incontinência urinária ou intestinal, hemorragia, fístulas perianais, hemorróidas, entre outras.

 

9. O Toque Rectal exige preparação?

A resposta é não.

Ainda assim, pode evacuar o intestino previamente ou esvaziar a bexiga, uma vez que, durante a palpação, pode ocorrer pressão nesse órgão, pelo é normal sentir vontade de urinar durante ou após o exame.

Este exame do toque da próstata também não provoca efeitos secundários ou complicações, sendo possível retomar as actividades habituais de imediato.

 

10. O paciente pode recusar fazer o exame?

Pode. Naturalmente, o exame à próstata por Toque Rectal só pode ser realizado se essa for a vontade do doente e para tal der o seu consentimento.

No entanto, lembre-se que, apesar de poder fazer outros exames, nenhum o substitui e permite conhecer as mesmas informações de forma tão real e imediata.

 

11. Com que regularidade deve ser feito o Toque Rectal?

Depois de o realizar, caso o resultado seja normal deve repetir o Toque Rectal a cada 1/2 anos como medida de prevenção, aquando da consulta de rotina.

Contudo, esta recomendação depende do grau de risco para doenças prostáticas de cada paciente – quanto mais elevado o risco, mais frequentemente deve realizar o exame à próstata através do toque.

 

12. Quão confiável é o Toque Rectal?

Apesar de muito útil, por si só não é suficiente para formar um diagnóstico.

Porquê?

Primeiro, porque podem existir problemas graves mesmo sem alterações neste exame. Por exemplo, em alguns casos de cancro, o tumor já está presente mas não existem sinais detectáveis através da palpação.

Além do mais, com o Toque Rectal não é possível avaliar a próstata na totalidade.

Por outro lado, mesmo que existam alterações, estas podem ser causadas por problemas de natureza benigna, formados por outras razões.

Assim sendo, os seus resultados devem ser correlacionados com outros exames de forma a estabelecer um quadro clínico mais fidedigno.

 

Exponha as dúvidas a um especialista pelo bem da sua Saúde

Mesmo que, neste momento, já tenha algumas informações importantes sobre o procedimento, deve, ainda assim, partilhar os seus receios e questões com o médico.

Nenhum constrangimento deve sobrepor-se à necessidade de realização de exames de rotina.

Além disso, a confiança no especialista é também um factor que facilita o processo.

No Instituto da Próstata encontra profissionais experientes capazes de realizar todos os actos do foro urológico que beneficiem a sua saúde.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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