Retenção urinária nos homens: Sinais de um problema

As condições que afectam o sistema urinário são, por norma, muito incomodativas, afectando muito o bem estar e a qualidade de vida e sendo a causa de muitas limitações. 

Além disso, existe sempre o risco de evoluírem para problemas mais sérios, pelo que saber reconhecer os sinais de que algo não está bem é a forma mais eficaz de proteger a sua saúde.

Hoje vamos falar de retenção urinária – como se manifesta, a sua origem e a importância de um diagnóstico precoce e assertivo. 

 

O que é a Retenção Urinária?

A retenção urinária caracteriza-se pela incapacidade de expulsar convenientemente a urina durante a micção, levando a que se acumule na bexiga.

Não se trata de uma doença, mas sim de uma condição, que pode dividir-se em dois tipos:

  • Retenção urinária aguda: paciente sente uma repentina incapacidade de urinar, que parece surgir do nada, prolongando-se, geralmente, até ser resolvida por um médico.
  • Retenção urinária crónica: desenvolve-se ao longo do tempo, tornando-se num problema prolongado.

A forma como os quadros de retenção urinária se manifestam depende se se está perante uma situação aguda ou de longo-prazo. 

Habitualmente, quando é aguda provoca sintomas que surgem de repente, de forma súbita, tais como:  

  • Incapacidade total de urinar, mesmo com a bexiga cheia;
  • Urgência miccional;
  • Dor intensa ou desconforto na zona inferior do abdómen;
  • Inchaço na barriga.

Quanto à retenção crónica, pode não apresentar sintomas, o que dificulta a sua detecção. Quando se manifesta, os pacientes queixam-se de: 

  • Incapacidade de esvaziar totalmente a bexiga;
  • Dificuldade em iniciar a micção;
  • Fluxo fraco e/ou intermitente;
  • Sensação de esvaziamento incompleto (provocando necessidade de urinar pouco tempo após a micção);
  • Micção frequente, embora com pequenas quantidades de urina;
  • Dor/desconforto na zona inferior do abdómen;
  • Necessidade miccional urgente.

 

Quem apresenta maior probabilidade de desenvolver Retenção Urinária?

Os quadros de retenção urinária parecem ser muito mais frequentes em homens de idade avançada.

Por exemplo, estudos mostram que, aproximadamente, 1 em cada 10 homens com idade superior a 70 anos desenvolve retenção aguda num espaço de 5 anos.

O padrão agrava-se em idades superiores: na faixa etária dos 80, o problema afecta cerca de 1 em cada 3 homens.

 

Qual a origem do problema?

A retenção urinária pode ter várias causas.

Primeiro, pode estar relacionada com situações de bloqueio do fluxo de urina, impedindo o seu sentido normal da bexiga para o exterior, através da uretra , provocado pelo estreitamento do colo da bexiga ou da uretra.

Isto pode acontecer, por exemplo, em casos de Hiperplasia Benigna da Próstata, já que o aumento do volume da glândula comprime as estruturas por onde passa a urina.

Fluxo Bexiga

Além disso, este bloqueio pode ainda ser provocado pelas seguintes condições:

  • Infecções (do trato urinário ou da próstata);
  • Estenoses da uretra ou no colo da bexiga;
  • Cálculos urinários;
  • Traumatismos na zona pélvica;
  • Prolapso dos órgãos pélvicos;
  • Tumores ou outras massas pélvicas.

 

Contudo, a condição pode ainda ter origem em problemas na contracção do músculo da parede da bexiga, que a impedem de contrair o suficiente para expelir a urina.
Normalmente, esta é causada por situações como:

  • Problemas neurológicos que dificultam o envio de sinais nervosos entre o cérebro e a bexiga no momento de urinar: esclerose múltipla, Parkinson, acidentes vasculares, diabetes, lesões na medula espinhal, entre outros;
  • Cirurgias que interferem com os sinais enviados para urinar, resultado da anestesia, traumas, cicatrizes ou inchaço na zona pélvica;
  • Medicação que condiciona os sinais nervosos – como anticolinérgicos, agonistas alfa-adrenérgicos, antidepressivos, anti-inflamatórios não esteróides, entre outros;
  • Fraqueza dos músculos pélvicos – pelo envelhecimento, por distensão exagerada e/ou prolongada que os danificou ou por traumatismo.

 

O que fazer perante os Sintomas de Retenção Urinária?

Caso reconheça algum dos sintomas mencionados, deve procurar ajuda médica para confirmar a suspeita. 

O diagnóstico envolve o estudo da sua história clínica, um exame físico e a realização de testes complementares, que permitirão definir uma estratégia terapêutica.

Em caso de retenção aguda deve agir imediatamente, uma vez que, além de ser extremamente desconfortável e/ou doloroso, pode haver risco de insuficiência renal e mesmo de vida.

Além do mais, se não tratar, esta condição pode evoluir e originar outros problemas, tais como:

  • Incontinência urinária;
  • Danos nos rins – por não conseguir ser expelida, a urina “sobrecarregar os rins, que deixam de funcionar, causando quadros de insuficiência renal aguda, que pode evoluir para uma doença renal crónica;
  • Danos na bexiga – a dilatação marcada da bexiga e o prolongamento da incapacidade de contracção normal dos seus músculos pode danificá-los, condicionando o seu funcionamento adequado no futuro;
  • Infecções do trato urinário – pela incapacidade de eliminar as bactérias que habitualmente entram no sistema urinário, como acontece quando a bexiga esvazia normalmente.

 

Tratamentos para a Retenção da Urina 

Tendo como base o tipo de retenção e a causa subjacente, podem ser utilizadas as seguintes estratégias de tratamento:

  • Algaliação - permanente ou intermitente; 
  • Medicação - alfa-bloqueantes, inibidores da 5-alfa redutase, antibióticos em caso de infecção, outros;
  • Procedimentos minimamente invasivos - como terapêutica laser, Rezum, incisão ou dilatação uretral, entre outros;
  • Métodos cirúrgicos  remoção da próstata ou de tumores, tratamento das estenoses uretrais, reparação dos prolapsos pélvicos e outros métodos para outras causas;
  • Técnicas de fisioterapia - podem ser úteis em alguns casos;
  • Medidas comportamentais - exercício físico, dieta equilibrada e mais, para prevenção.

 

Tem sintomas de Retenção Urinária? Marque uma consulta

Já sabe que os casos de retenção urinária devem ser tratados assim que reconhecer os sintomas, pelo que não deve adiar a ida ao médico.

Para o ajudar a resolver o problema, conte com os experientes profissionais médicos do Instituto da Próstata

Somos especialistas nas doenças da próstata. Temos as mais modernas tecnologias e o conhecimento médico-científico para resolver todos os problemas do foro urinário. 

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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