Quais os sintomas de uma Próstata inflamada?

Desenvolver problemas ou patologias na próstata é um acontecimento comum durante a vida dos homens, sendo uma delas a inflamação na glândula.

Por vezes, mesmo que tenham percepção e reconheçam alguns sintomas, nem sempre conseguem identificá-los e perceber a sua causa. Se não causarem grandes transtornos, por vezes são desvalorizados e até esquecidos.

Contudo, adiar um diagnóstico é estar a incorrer no risco de prejudicar a sua saúde, pelo que deve estar atento aos sinais do seu corpo.

Hoje vamos dar a conhecer a sintomatologia associada a uma próstata inflamada, para que, daqui em diante, a saiba reconhecer.

 

O que causa a inflamação na Próstata?

Esta condição, normalmente denominada prostatite, caracteriza-se por uma inflamação na glândula.

Prostatite

Ainda que possa afectar homens de todas as faixas etárias, é mais frequente por volta dos 50 anos ou até em idades inferiores, ao contrário do que acontece com a maioria das outras patologias da próstata.

Esta inflamação pode ser dividida em 4 tipos:

  • Bacteriana aguda;
  • Bacteriana crónica;
  • Síndrome da dor pélvica crónica;
  • Inflamatória assintomática.

A forma como cada uma delas se manifesta – gradualmente ou de forma repentina – depende das várias causas associadas.

No caso da inflamação bacteriana aguda e da bacteriana crónica, como o próprio nome indica, a patologia desenvolve-se por infecção bacteriana, por exemplo quando as bactérias da urina (como a Escherichia coli) migram para a próstata.

Contudo, nem sempre é possível identificar as causas exactas, como no caso do síndrome da dor pélvica crónica e da prostatite inflamatória assintomática.

Ainda assim, algumas opiniões indicam que o seu desenvolvimento pode ter tido origem em lesões neurológicas do aparelho urinário inferior, por cirurgias ou outros traumatismos locais.

 

Sintomatologia de uma Próstata inflamada

De forma geral, a prostatite manifesta-se da seguinte forma:

  • Ardor ou dor miccional;
  • Dificuldade em urinar (retenção urinária);
  • Sangue na urina (hematúria);
  • Micção frequente/urgente;
  • Noctúria (vontade de urinar durante a noite);
  • Dor no abdómen e inguinal (“virilha”);
  • Dor/desconforto no pénis, testículos e zona do períneo (entre o escroto e o recto);
  • Ejaculação precoce ou dolorosa.

No caso da prostatite bacteriana aguda, pode ainda provocar sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, calafrios, mal-estar geral ou dores no corpo.

A grande diferença entre os vários tipos de prostatite relacionada com a sintomatologia prende-se com o aparecimento dos sintomas e a sua duração:

  • Bacteriana aguda: queixas aparecem de repente, de forma mais agressiva, embora sejam geralmente menos duradouras;
  • Bacteriana crónica: sintomas podem ser menos intensos, mas prolongam-se ou repetem-se de forma frequente ao longo do tempo;
  • Síndrome da dor pélvica crónica: sinais podem aparecer e desaparecer ou, em alternativa, permanecer cronicamente;
  • Inflamatória assintomática: sem queixas, pelo que é frequente que só seja detectada por acaso durante outros exames.

 

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Tratar ou atenuar os sintomas – o que fazer

A sintomatologia provocada pela prostatite não interfere apenas com o bem-estar físico dos pacientes. Na verdade, é a causa de muitos constrangimentos sociais e psicológicos, pelo tipo e intensidade das queixas, o que se reflecte negativamente na sua qualidade de vida.

Assim, tratar esta condição não só elimina o desconforto físico sentido como também melhora significativamente a autoestima e a confiança.

Naturalmente, o tipo de tratamento depende da causa subjacente.

No caso das prostatites bacterianas, são utilizados antibióticos, com duração de algumas semanas a definir pelo médico.

Em situações em que a inflamação é de carácter crónico, o foco é controlar e minimizar os sintomas ao longo do tempo. Assim, podem ser recomendados anti-inflamatórios e analgésicos, tal como na doença aguda (e eventualmente também antibióticos) 

Além disso, os alfa-bloqueantes contribuem para diminuir os sintomas urinários, uma vez que relaxam as fibras musculares ao redor da próstata e bexiga.

Existem ainda algumas recomendações que podem surtir algum efeito atenuante e podem ser realizadas de forma autónoma, nomeadamente banhos quentes e exercícios de relaxamento da musculatura pélvica e perineal (ou medicamentos relaxantes musculares), assim como alterações o estilo de vida, principalmente evitar actividades que comprimam a zona do períneo, como andar de bicicleta ou a cavalo.

 

Visite um médico especialista e reduza os riscos do não-tratamento

Sabia que se não tratar uma inflamação da próstata tal pode representar riscos para a sua saúde?

Além de um possível agravamento da infecção, pode contribuir para desenvolver os seguintes problemas:

  • Epididimite (inflamação do epidídimo);
  • Infecção bacteriana sistémica, sanguínea;
  • Retenção urinária;
  • Alterações na qualidade do sémen e infertilidade;
  • Abcesso prostático. 

Para além disso, a patologia continuará a comprometer a sua qualidade de vida e bem-estar geral.

Assim sendo, se sente algum destes sintomas, não deixe que a prostatite continue a comandar a sua vida - peça ajuda a um médico especialista, como os do Instituto da Próstata, e será aconselhado e acompanhado de forma especializada e profissional.

De que está à espera? Marque uma consulta de diagnóstico e verá que em breve deixará para trás os sintomas que o atormentam.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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