O que é e como tratar a Incontinência Urinária Feminina?

Ao longo da vida é comum surgirem condições de saúde que afectam o bem-estar – a Incontinência Urinária Feminina, marcada pelas perdas involuntárias de urina, é uma delas.

São os impactos que provoca que, muitas vezes, motivam as mulheres a procurar informação fidedigna, na esperança de entenderem melhor o problema e descobrir formas de lhe fazer frente. Além disso, muitas sentem dificuldade em admiti-lo, pelo que esclarecer o assunto contribui para que deixe de ser tabu.

Para a ajudar, hoje damos-lhe todas as informações importantes sobre a Incontinência Urinária nas mulheres: o que é, quais as suas causas, como pode tratar a condição e o que esperar de cada terapia.
 

Incontinência Urinária Feminina – descubra do que se trata

Diz-se que existe Incontinência Urinária quando ocorrem perdas involuntárias de urina, sendo a paciente incapaz de conter a urina.

A grande maioria das mulheres sofre de Incontinência Urinária em alguma fase da vida, embora seja muito mais frequente em idades avançadas, acima dos 75 anos.

 

Esta condição pode ter graus de gravidade variáveis, dos mais ligeiros aos mais críticos, e pode manifestar-se de forma transitória e melhorar espontaneamente, aliviando com o tempo até desaparecer, ou permanente, agravando de forma progressiva.

Em qualquer dos casos, a sua incidência afecta sobremaneira a qualidade de vida das doentes, criando constrangimentos com repercussões na esfera social e/ou profissional e levando a que evitem, por vezes, realizar as acções mais rotineiras, com receio de provocar perdas de urina.

Em quadros agravados, pode até criar uma necessidade de isolamento que contribui para estados depressivos.
 

Tipos de Incontinência Urinária nas Mulheres

Além da gravidade e duração variáveis, a Incontinência Urinária pode ocorrer em situações distintas, levando à sua categorização em diferentes tipos, sendo os mais comuns:

  • Bexiga Hiperactiva (também conhecida como Incontinência de urgência): caracteriza-se pela vontade miccional súbita e imperiosa, provocada pela contracção excessiva da bexiga que exerce pressões demasiado elevadas e, com isso, excede a força do esfíncter urinário, levando à perda de urina;
  • Incontinência de esforço: quando as perdas ocorrem após aumento da pressão intra-abdominal, em acções como tossir, espirrar, rir, saltar ou levantar pesos, por exemplo, e os músculos pélvicos são incapazes de a suportar;
  • Incontinência por regurgitação: marcada pela incapacidade de contracção da bexiga que deixa de conseguir expulsar a urina, levando a que se acumule em excesso até provocar a sua perda involuntária.

Tipos De Incontinencia Urinaria Nas Mulheres Instituto Da Prostata

Algumas mulheres podem ainda desenvolver um quadro de Incontinência mista, geralmente associando os dois primeiros tipos.
 

Existem causas conhecidas para este problema?

Nos casos em que a Incontinência é passageira, as causas podem estar associadas a práticas como:

  • Ingestão excessiva de alimentos que irritem a bexiga;
  • Toma de fármacos que estimulam o aumento do volume de urina, como diuréticos;
  • Consumo exagerado de cafeína ou bebidas alcoólicas.

 

Em quadros prolongados e persistentes, a incapacidade de reter a urina, tal como os vários tipos indicam, é provocada pela alteração do funcionamento e da capacidade de contracção e relaxamento de 3 componentes fundamentais: os músculos da bexiga, os do pavimento pélvico e o esfíncter urinário que encerra a uretra e assegura a continência.

 

Mas o que provoca estas mudanças que levam à Incontinência? Em certos casos, é difícil descobrir a origem, embora possam ser resultado de situações como:

  • Envelhecimento (pois os músculos vão perdendo tonicidade e força);
  • Realização de intervenções cirúrgicas na zona pélvica, como histerectomias;
  • Alterações estruturais do pavimento pélvico por traumas ou condições de saúde, como Prolapsos dos Órgãos Pélvicos;
  • Gravidez e realização de partos por via vaginal;
  • Menopausa (pela diminuição de estrogénios);
  • Desenvolvimento de obstruções urinárias, como cálculos renais ou tumores (na Incontinência por regurgitação).

 

Além disso, sabe-se que alguns factores de risco podem ainda aumentar a probabilidade das mulheres desenvolverem esta condição ou de sofrerem quadros mais agressivos. São eles:

  • Ser de raça caucasiana (no caso da Bexiga Hiperactiva);
  • Obesidade;
  • Doenças neurológicas e/ou perda de capacidades cognitivas;
  • Histórico familiar (na hiperactividade da bexiga).
     

 

É possível tratar a Incontinência Urinária Feminina?

Graças ao constante desenvolvimento de meios de diagnóstico e tratamento, hoje é possível curar a Incontinência Urinária nas mulheres ou, pelo menos, reduzir muito significativamente o número e a frequência dos episódios de incontinênncia. Assim, mesmo que estes quadros estejam associados ao envelhecimento, por exemplo, podem ser resolvidos, pelo que é possível viver a vida sem limitações.

Em determinados casos, pode ser suficiente alterar certos comportamentos e hábitos como ingestão de líquidos na dose recomendada ou mudanças na dieta alimentar.

Mas noutros é necessário definir uma estratégia terapêutica. Os métodos são, no geral, muito simples e eficientes, prolongando o resultado ao longo do tempo e beneficiando o prognóstico, em especial se o problema for detectado cedo.

Existem várias opções, escolhidas tendo por base informações como:

  • Tipo, origem e gravidade da Incontinência;
  • Idade, histórico médico e estado de saúde geral da paciente;
  • Tolerância ou intolerância a medicamentos ou certos procedimentos;
  • Preferências pessoais da paciente.

 

Conheça os 3 grupos de hipóteses terapêuticas.
 3 Grupos De Hipoteses Terapeuticas Instituto Da Prostata

1. Terapêutica Médica

Indicada para a hiperactividade da bexiga, traduz-se na toma oral ou intra-vesical de substâncias ou fármacos que combatem as alterações do funcionamento da bexiga responsáveis pela perda urinária, relaxando-a ou, pelo menos, reduzindo as suas contracções, atenuando as queixas.

De modo geral, esta terapêutica é administrada por etapas – quando um fármaco deixa de ser utilizado, seja por total ineficácia ou por perda progressiva de efeito, indica-se outro.

A mais comum é a toma de Beta-3 Agonistas ou Adrenérgicos ou Anti-muscarínicos - como o mirabegron, no primeiro grupo, ou o cloreto trospium, oxibutinina ou solifenacina, no segundo.

Como a toma destes produtos farmacológicos se prolonga no tempo (por vezes para toda a vida), os resultados são progressivos. Também por isso é necessário um acompanhamento regular, de forma a ir ajustando doses ou trocando fármacos, se necessário.
 

2. Reabilitação Pélvica

Esta é uma opção ideal para restabelecer ou melhorar a força dos músculos do pavimento pélvico e tonicidade dos tecidos e, portanto, indicada para casos de Incontinência de esforço. 

Reabilitacao Pelvica Instituto Da Prostata


A Reabilitação Pélvica pode ser aplicada de variadas formas:

  • Técnicas de fisioterapia – incidem nestes grupos musculares, sendo administradas por um especialista;
  • Exercícios de Kegel – dizem respeito a movimentos simples como contrair por uns segundos os músculos pélvicos e relaxá-los de seguida, repetindo várias vezes por dia. Este método específico pode ser usado para outro tipo de incontinências;
  • Electroestimulação - através de correntes eléctricas, transmitidas por uma sonda, fortalecem-se os músculos enquanto são estimulados;
  • Biofeedback – o objectivo é conhecer o movimento de contracção e descontracção, de forma a aprender a realizá-lo nas alturas certas, enviando-lhe feedback enquanto realiza exercícios pélvicos.

 

Neste tipo de terapêutica, os resultados dependem do esforço pessoal da paciente e do compromisso em realizar os exercícios na frequência e duração recomendadas pelo profissional de saúde.
 

3. Técnicas Minimamente Invasivas

Rápidos, com alta no próprio dia ou no seguinte e pouco tempo de recuperação, os métodos cirúrgicos minimamente invasivos para Incontinência Urinária são recomendados para casos em que os músculos pélvicos ou o esfíncter deixam de ser capazes de reter a urina, como na Incontinência de esforço.

Realizados por via endoscópica ou aberta com anestesia, os resultados atingidos são, regra geral, definitivos e imediatos e, por isso, muito satisfatórios.

Existem várias opções para responder a diferentes necessidades. São elas:

  • Injecção de Bulking Agents – usado para perdas de urina ligeiras, injecta-se uma substância no tecido em redor da uretra, contribuindo para que se mantenha fechada e assim ajudar o esfíncter a cumprir o seu papel;
  • Inserção de Microbalões – são colocados balões com substâncias específicas numa localização estratégica para comprimir a uretra e reduzir as perdas de urina. São também utilizados em casos ligeiros;
  • Fitas/Slings Sub-uretrais – com a intenção de comprimir a uretra e restabelecer o funcionamento do pavimento pélvico, implanta-se uma espécie de alça fina e alongada por baixo da uretra. Em certos casos, é possível definir o grau de compressão. Esta técnica pode ser usada para quadros mais graves ou moderados com uma boa eficácia;
  • Colocação de Esfíncter Urinário Artificial – para casos específicos em que o esfíncter deixa de cumprir a sua função, causando incontinência moderada ou grave, implanta-se uma espécie de anel com uma braçadeira insuflável em redor da uretra para o manter fechado até existir necessidade de urinar. Nessa altura, a própria doente acciona o dispositivo para que a urina seja expulsa para o exterior;
  • Toxina Botulínica (vulgo Botox) – administrada na bexiga em intervalos variáveis (cerca de 1 ano), relaxando-a;
  • Neuromoduladores – usado em casos resistentes aos métodos anteriores, mesmo os mais graves, são semelhantes a pacemakers.

 

Cirurgia para a Incontinência Urinária - Técnica Out-In 

 

Como acontece com qualquer método cirúrgico, estas técnicas podem acarretar riscos, embora os seus desenvolvimentos, que as tornam menos invasivas e mais precisas, contribuam para os diminuir.

As únicas recomendações médicas são, de forma geral, manter uma alimentação que promova o bom funcionamento intestinal e evitar esforços nos primeiros dias ou semanas.
 

É possível prevenir os quadros de Incontinência Urinária?

Como já vimos, as técnicas disponíveis podem ser muito eficazes a eliminar ou reduzir as perdas de urina. Mas é normal que pretenda saber se existe forma de as prevenir de forma autónoma. Saiba que nem sempre é possível, mas pode contribuir para reduzir a probabilidade. Como?

Existem algumas recomendações gerais que podem ajudar a manter o normal funcionamento do sistema urinário e a evitar afectar as estruturas responsáveis por conter a urina, de especial importância se identificar os factores de risco. Seguem alguns exemplos:

  • Praticar actividade física regular e manter um peso saudável;
  • Realizar Exercícios de Kegel – mesmo sem Incontinência, estes exercícios são benéficos para a manutenção do normal funcionamento dos músculos pélvicos;
  • Planear as micções – com intervalo de algumas horas, evitando esperar até sentir necessidade. Assim, contorna a vontade súbita que proporciona as perdas de urina;
  • Treinar o controlo da bexiga – começar por retardar por pouco tempo a micção quando sente vontade e assim ir prolongando o intervalo de idas à casa de banho;
  • Depois da micção, aguardar e voltar a tentar – para evitar perdas por regurgitação;
  • Regrar o consumo de água – nas quantidades certas e menos ao fim do dia;
  • Manter uma boa saúde intestinal, evitando a obstipação;
  • Parar de fumar.
     

 

Quer melhorar a sua vida e eliminar a Incontinência Urinária? Peça ajuda o quanto antes

Já percebeu que é possível conseguir bons resultados quanto à Incontinência Urinária nas mulheres, mas estes são sempre precedidos de uma avaliação adequada e definição do quadro clínico.

Só um profissional será capaz de realizar um diagnóstico personalizado, começando pelo histórico clínico, exame físico e ginecológico e passando aos exames complementares, em que se incluem as ecografias, análises ao sangue e urina, urofluxometrias, entre outros.

Mas, para isso, é importante que deixe de lado vergonhas e constrangimentos (que são naturais) e partilhe com o médico os sintomas que detectou. Deve saber que protelar a decisão de pedir ajuda pode dificultar todo o processo clínico.

Além disso, é importante descartar outras causas patológicas e evitar que a situação evolua para casos mais graves, resultado da ausência de tratamento.

Assim, se sofre de perdas de urina e sente que estas afectam a sua qualidade de vida, procure ajuda especializada e experiente, que encontra no Instituto da Próstata. Será acompanhada e avaliada com os métodos mais rigorosos e beneficiará dos procedimentos terapêuticos mais eficazes.

Verá que o resultado será uma vida mais livre e feliz, sem episódios indesejáveis.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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