Incontinência ocasional associada ao Esforço é normal nos homens?

À medida que envelhecem, alguns homens começam a notar que uma acção tão inata como urinar sofre alterações. Daqui surgem, muitas vezes, os casos de incontinência, como a incontinência associada ao esforço.

Este é um problema tabu para a maioria dos homens. Se o sente, é normal que evite debatê-lo até com as pessoas mais próximas, pelos constrangimentos e impacto emocional que pode provocar. Contudo, não está sozinho – é uma ocorrência comum.

Além disso, existem estratégias e terapêuticas para a incontinência de esforço que ajudam a gerir ou mesmo eliminar estes acidentes embaraçosos.

Hoje vamos explicar quais são, depois de lhe dar uma visão geral deste problema.

 

O que é a Incontinência de Esforço?

A incontinência de esforço é um dos tipos de incontinência urinária, o que significa que se caracteriza pelas perdas involuntárias de urina pela uretra, neste caso em resultado de um esforço físico que provoca aumento de pressão sobre os músculos, ligamentos, fáscias e tendões do pavimento pélvico.

Assim, pode surgir em resultado de algumas das seguintes situações:

  • Rir;
  • Tossir;
  • Espirrar;
  • Pular;
  • Fazer exercício físico;
  • Levantar pesos.

Também conhecida como incontinência de stress, esta condição varia de acordo com a pessoa, no sentido em que podem ocorrer grandes perdas de urina ou perdas pouco significativas.

Este problema pode ainda vir associado a outros sintomas urinários – atraso no início da micção, redução do calibre ou intermitência do jacto de urina, aumento da frequência miccional, sensação de não esvaziamento da bexiga ou gotejo após a micção são apenas alguns exemplos. 

Além do mais, pode ainda ser sentido em simultâneo com outro tipo de incontinência – a de urgência. Neste caso, para além das perdas de urina associadas ao esforço, surge uma vontade súbita (“urgência”) para urinar, fruto de contracções não controladas da bexiga.

 

De que forma o esforço provoca as perdas de urina?

Ao exercerem pressão sobre o pavimento pélvico, as actividades de esforço estão, por consequência, a pressionar também a bexiga e outras estruturas responsáveis pela continência urinária, como os esfíncteres urinários.

Em condições normais, todas elas seriam capazes de suportar este aumento de pressão. Os esfíncteres urinários, presentes na uretra, conseguiriam encerrar este canal, impedindo que a urina deixasse a bexiga, onde está armazenada, até poder ser libertada para o exterior.

Também os restantes músculos pélvicos que sustentam a uretra, apresentando a sua rigidez e tonicidade normal, auxiliam no processo de continência, ao impedir que esta se mova até uma posição em que deixa de coaptar e conter a urina quando ocorre o esforço (situação conhecida como hipermobilidade da uretra).

Então, quando as perdas de urina acontecem associadas ao esforço significa que estas estruturas musculares pélvicas e dos esfíncteres urinários se encontram enfraquecidos e com funcionalidade alterada, deixando de ter capacidade para resistir a qualquer aumento de pressão, quando este ocorre.

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Quem tem maior probabilidade de sofrer deste problema?

Já sabemos que as perdas de urina por incontinência de esforço ocorrem em consequência do enfraquecimento dos músculos pélvicos e dos esfíncteres urinários. Mas por que é que isto acontece?

Fatores Que Aumentam A Probabilidade De Sofrer Incontinencia Urinaria De Esforco Instituto Da Prostata

Nos homens, a causa mais frequente é a realização de procedimentos cirúrgicos na zona pélvica, em especial na próstata, que lesem a região.

A deficiência na funcionalidade dos esfíncteres pode ainda ser resultado de alguma alteração neurológica.

Assim, os homens que identifiquem alguma destas situações correm um maior risco de sofrer deste problema.

Mas existem mais factores que aumentam a probabilidade de ter incontinência de esforço, como:

  • Idade avançada, graças ao enfraquecimento natural dos músculos;
  • Obesidade, por aumentar a pressão na zona abdominal;
  • Condições que provocam tosse crónica, por aumentarem a pressão abdominal com frequência;
  • Hábitos tabágicos, por provocarem tosse frequente.

 

O impacto da Incontinência de Esforço na sua qualidade de vida

É muito frequente que os homens com esta condição comecem a adaptar a sua vida em função da mesma, com medo de provocarem estes episódios constrangedores, podendo com isso evitar actividades que gostam.

Mais: a possibilidade de ocorrerem perdas de urina pode impactar negativamente a autoimagem, reduzindo a autoestima e autoconfiança, e provocar sentimentos de frustração e cansaço emocional, conduzindo a estados de ansiedade e stress extremos.

É por isso que a incontinência de esforço pode interferir em várias áreas da sua vida, como por exemplo:

  • Vida profissional - a falta de confiança podem prejudicar o seu desempenho no trabalho;
  • Vida íntima - a perda de autoestima e a vergonha em partilhar o problema podem causar tensão conjugal; além disso, podem ocorrer perdas de urina durante a actividade sexual;
  • Vida social - por medo das manchas de urina e odores, pode começar a recusar convívios e sentir necessidade de se isolar. Afinal, as perdas podem acontecer em situações sociais, ao divertir-se, rir ou dançar.

Por último, a incontinência pode ainda prejudicar o descanso nocturno, já que pode levar a que se acorde de forma regular para evitar as perdas de urina. Esta interrupção do descanso afecta o seu humor e disposição, além de atrapalhar a reorganização das funções do organismo.

Tudo isto significa que a incontinência de esforço é mais do que um problema físico, podendo afectar o seu bem-estar mental e emocional. Saber isto é essencial para perceber a importância de falar sobre o assunto e agir sobre ele.

 

O que fazer para acabar com a Incontinência de Esforço e quando pedir ajuda?

Ainda que possa sentir constrangimentos em partilhar o problema, evitar encará-lo não faz com que desapareça. Pelo contrário, pode até piorar com o tempo, à medida que os músculos pélvicos vão enfraquecendo com a idade.

É por isso que deve procurar ajuda especializada, junto de um médico, e perceber qual a melhor solução e tratamento, permitindo-lhe eliminar ou atenuar a incontinência associada ao esforço.

Mas quando o deve fazer?

Dê esse passo se as perdas de urina alguma vez:

  • Provocaram embaraço;
  • Interferiram negativamente com a sua vida profissional ou íntima;
  • Impediram de realizar actividades que goste;
  • Levaram a sentir vontade de se isolar.

Uma vez tomada a decisão de pedir ajuda, a primeira coisa a fazer é um diagnóstico criterioso.

Numa primeira fase, irá ser questionado acerca dos seus sintomas - a forma como o afectam, frequência com que acontecem e em que situações ocorrem -, procedimentos médicos já realizados, antecedentes pessoais como doenças prévias, hábitos alimentares e medicamentos que toma.

Depois, pode ser incentivado a realizar alguns dos seguintes exames:

Só com estes dados é possível perceber a origem do problema e definir qual a estratégia terapêutica que lhe oferecerá melhores resultados para o seu caso específico.

 

A que tratamentos pode submeter-se para a Incontinência de Esforço?

Uma das possibilidades prende-se com a realização de técnicas cirúrgicas para restituir a funcionalidade do esfíncter e a capacidade de conter a urina, entre as quais a colocação/injecção de:

  • Esfíncter urinário artificial - dispositivo com uma espécie de “braçadeira” insuflável em redor da uretra que a abre quando activado, deixando passar a micção, até a comprimir de novo, assegurando a continência;
  • Slings – fita colocada por baixo da uretra para a sustentar e garantir o seu fecho quando necessário;
  • Bulking Agents – compostos injectados nos tecidos perto da uretra que reduzem o seu calibre, ajudando o esfíncter a segurar a urina.

Para quem deseja evitar procedimentos cirúrgicos, existem outras alternativas para a incontinência de esforço, como a Reabilitação Pélvica. Esta opção comporta várias vantagens, como o facto de dispensar intervenções invasivas, períodos de recuperação, risco de complicações e efeitos secundários.

Diz respeito a um conjunto de práticas que visa recuperar a funcionalidade dos músculos pélvicos e esfincterianos nos casos em que tal ainda é possível. Ou seja: actua sobre a causa do problema.

Como?

Através de exercícios e movimentos realizados directamente nestes músculos ou que os estimulem, contribuindo para que recuperem força e tonicidade, com isso, a capacidade de contracção e relaxamento nas alturas certas, fundamental para um processo de continência urinária normal.

 

Como funciona a Reabilitação Pélvica?

Este é um tratamento realizado em várias sessões orientadas por fisioterapeutas especializados, durante as quais pode ser submetido a várias práticas, como:

  • Técnicas de Fisioterapia - são técnicas específicas de manipulação dos tecidos do pavimento pélvico, direccionados para a sua estimulação e fortalecimento;
  • Exercícios de Kegel – tratam-se de movimentos de contracção e descontracção dos músculos da região pélvica, perineal e peri-anal (numa acção semelhante à que faz se quiser interromper a micção), realizados em várias rondas;
  • Electroestimulação – uso de choques de baixa intensidade para estimular os músculos pélvicos;
  • Biofeedback– utilizam-se sensores que detectam movimentos de contracção, ajudando a identificar os músculos certos a exercitar.

Algumas destas técnicas, como os Exercícios de Kegel, devem ser repetidas em casa, de forma autónoma, seguindo as orientações do especialista.

 

Resultados que pode esperar com a Reabilitação Pélvica

As técnicas de Reabilitação Pélvica para a incontinência de esforço podem trazer bons resultados, em especial se forem realizadas de forma consistente e se a indicação para a sua realização for correcta.

Isto significa que os resultados dependem, em grande parte, do seu esforço e comprometimento em cumprir os exercícios, mesmo sozinho, assim que aprender a realizá-los. 

Desta forma, com o tempo, irá notar um alívio progressivo nas perdas de urina.

 

Confie o seu problema a um médico urologista para recomeçar a viver

Agora já sabe que, se tiver esta condição, não é necessário que sofra em silêncio. Existem soluções vantajosas que lhe permitem recuperar o bem-estar.

Se quiser potenciar ainda mais os resultados, pode fazer a sua parte, realizando algumas medidas comportamentais como:

  • Evitar a ingestão de alimentos ou líquidos que “irritem” a bexiga;
  • Ingerir líquidos na quantidade recomendada pelo médico;
  • Treinar a bexiga, definindo horários para ir à casa de banho, com intervalos de algumas horas;
  • Parar de fumar;
  • Perder peso (se necessário).

Mas o mais importante é que confie em profissionais especialistas, que lhe permitam ter um diagnóstico preciso e iniciar uma estratégia de tratamento adequada.

Os especialistas do Instituto da Próstata têm experiência em lidar com casos de incontinência urinária de vários tipos, podendo dar-lhe o apoio e confiança que precisa para resolver a sua situação.

Marque uma consulta e avance para o tratamento da sua incontinência de esforço. Estará um passo mais perto de um dia a dia sem limitações.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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