Importância do Diagnóstico e Estadiamento do Cancro da Próstata

Quando o assunto é cancro da próstata, é natural querer saber todas as informações sobre o assunto, dada a seriedade do tema e o impacto que tem na sua vida e na dos seus familiares.

Esta preocupação leva a que a maior parte dos doentes, inevitavelmente, procurem mais informações e dados sobre o tema, para obter resposta às inúmeras dúvidas e questões que se levantam em relação a esta doença. Nesta busca, surgem habitualmente uma variedade de testemunhos e opiniões, por vezes contraditórias, que levam a que possam surgir novas dúvidas, nomeadamente por se fazerem algumas comparações e estabelecerem paralelismos com outras situações e casos/doentes, que nem sempre são adequadas.

Será que o que ocorre num caso, com uma pessoa, se repete invariavelmente noutras situações? 

Neste artigo, explicamos como é feito o diagnóstico e o estadiamento do cancro da próstata. 

 

Serão os diagnósticos de Cancro da Próstata todos iguais?

Nas questões de saúde, os casos devem ser analisados individualmente. 

Mesmo que seja expectável que cada patologia se comporte e/ou evolua de uma determinada maneira, cada indivíduo incorpora características distintas, que podem influenciar o surgimento de novas variáveis que influenciam todo o processo.

Por isso, o que acontece num caso não é, obrigatoriamente, o que ocorre noutro.

Além das diferentes particularidades de cada pessoa, cada cancro tem as suas características, fases e graus de agressividade, evoluindo e manifestando-se de formas que nem sempre são assim tão lineares.

Isto significa que receber um diagnóstico de cancro da próstata, por si só, não indica de que forma esta doença vai evoluir e afectar a sua vida.

Por isso é tão importante realizar um estadiamento correcto, com o máximo de informações possível, pois só assim saberá qual o passo seguinte a adoptar.

Não se esqueça que a terapêutica mais adequada é aquela que é indicada para o seu caso específico, adaptada às suas características e particularidades do tumor, nomeadamente a sua agressividade, localização e extensão.

 

Diferentes Estádios do Cancro Prostático

Proceder ao estadiamento do cancro ajuda a perceber de que forma o mesmo vai evoluir. É por exemplo totalmente diferente se o tumor se encontra localizado apenas na próstata ou se já ultrapassou os seus limites.

De acordo com a classificação TNM, a mais aceite internacionalmente, é possível obter informação relativa ao tumor (T), aos gânglios eventualmente afectados (N – node) e à eventual presença de metástases (M).

A classificação completa prevê as seguintes categorizações:

  • TX – tumor não acessível;
  • T0 – sem evidência de tumor primário;
  • T1 – clinicamente inaparente (não palpável ou visualizável por imagiologia);
  • T1a – incidental (em ≤ 5% do tecido extraído em cirurgia);
  • T1b – incidental (em > 5% do tecido extraído em cirurgia);
  • T1c – identificado por biópsia;
  • T2 – restringido à próstata;
  • T2a – envolve ≤ metade de um lobo;
  • T2b – envolve > metade de um lobo;
  • T2c – envolve dois lobos;
  • T3 – ultrapassa a cápsula da próstata;
  • T3a – extensão extracapsular unilateral ou bilateral;
  • T3b – invade vesícula(s) seminal(is);
  • T4 – fixo ou invadindo estruturas adjacentes como recto, bexiga, músculos pélvicos ou esfíncter externo;
  • NX – gânglios linfáticos regionais não avaliados;
  • N0 – sem metástases ganglionares;
  • N1 – metástases em gânglios regionais;
  • M0 – sem metástases à distância;
  • M1 – metástases à distância;
  • M1a – metástases em gânglios não regionais;
  • M1b – metástases ósseas;
  • M1c – metástases noutros órgãos, com ou sem metástases ósseas.

 

Exames de Diagnóstico para um Estadiamento Correcto

Para que possa definir o diagnóstico e estadiamento e identificar as particularidades relevantes do cancro da próstata, existem alguns exames fundamentais. 

Exames Diagnostico Estadiamento Correcto

1. Toque rectal

Procedendo à palpação a próstata, o toque rectal permite obter informações precisas que mais nenhum teste consegue, tais como:

  • Dimensão da glândula;
  • Consistência;
  • Regularidade dos contornos e superfície;
  • Limites;
  • Zonas dolorosas e/ou suspeitas (nódulos).

Estes elementos podem alterar as fases de diagnóstico e orientação terapêutica subsequente dos doentes.

 

2. Análise do PSA

Medindo os níveis do PSA (antigénio específico da próstata) através de uma análise sanguínea, é possível prever a possibilidade de cancro e a sua eventual extensão.

Contudo, o cancro da próstata não é o único motivo para o aumento dos níveis do PSA; existem outras causas para esse aumento.

Isto significa que o mesmo valor em pessoas distintas pode implicar atitudes diferentes, reforçando a ideia de que cada caso é um caso e deve ser encarado individualmente.

Ainda assim, um valor elevado é sempre motivo de preocupação e implica a necessidade de proceder a um despiste de cancro e esclarecer a causa desse aumento, analisando dados como a densidade e velocidade do antigénio, além da relação entre o PSA total e o livre (que circula livre no sangue), entre outros, e completando esses dados com os resultados de outros exames.

 

3. Outros exames complementares de diagnóstico

A realização de alguns exames complementares é fundamental para esclarecer o diagnóstico e especificar a situação clínica individual, nomeadamente quanto à localização e extensão do tumor e presença de metástases.

Assim, podem ser pedidos pelo seu médico:

 

4. Avaliar os resultados obtidos 

Além dos dados reunidos através dos exames de diagnóstico, a agressividade do tumor é identificada através do Score de Gleason, que classifica o cancro numa escala de 6 a 10, do menos agressivo e de progressão mais lenta, para o mais agressivo e que se multiplica mais rapidamente. Actualmente é também utilizada a classificação “ISUP” (de “International Society of Urological Pathology), igualmente adoptada pela OMS (Organização Mundial de Saúde). 

A partir daí, com base nos resultados obtidos, usam-se calculadores ou marcadores de prognóstico - como as já clássicas as tabelas de Partin, o normograma de Briganti, o normograma do MSKCC (Memorial Sloan Kettering Cancer Center) e outros - para prever, por exemplo, a probabilidade de o cancro estar ou não confinado à próstata, a probabilidade de existirem gânglios afectados ou a sobrevivência provável após x anos e, consequentemente, as hipóteses de cura.

 

Procure ajuda especializada e faça um diagnóstico exaustivo

Conseguir reunir todas as informações relevantes para um correcto estadiamento do cancro é o ponto de partida para todo o processo que se seguirá – tratamento, resultados da terapêutica e follow-up, podendo ser a cura ou, em casos mais graves, a minimização dos sintomas.

Não faça comparações e peça ajuda especializada, capaz de o acompanhar de forma individual e adequada à sua situação.

A equipa do Instituto da Próstata é especialista em doenças da próstata, reunindo as melhores condições para definir uma estratégia para o seu caso específico, desde o diagnóstico até ao tratamento. 

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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