Alternativas à Radioterapia para Cancro da Próstata – Conheça aqui

Sofrer de Cancro da Próstata é uma fonte de receios e inseguranças. Por isso, é importante saber a melhor forma para lhe fazer frente.

Mas conhecer os tratamentos disponíveis pode ser insuficiente – é necessário perceber qual o mais indicado para cada caso e, preferencialmente, o que lhe trará menos efeitos secundários.

A Radioterapia Externa é uma das opções, mas existem outras também promissoras, que podem ser ideais.

Vamos conhecê-las neste artigo para que possa fazer uma escolha informada.
 

Radioterapia Externa – o que é e para que casos é indicada?

Através de um aparelho próprio – o acelerador linear – que se movimenta em redor do paciente, são emitidos disparos de alta energia directamente para a próstata.

O objectivo: destruir as células doentes que originam o tumor, impedindo a sua multiplicação e levando, progressivamente, à sua destruição.

Como é um tratamento não invasivo, já que a radiação é libertada externamente ao corpo, dispensa anestesia. É também por isso que pode ser especialmente recomendada para homens mais velhos, com problemas cardíacos ou outros, que excluam métodos mais agressivos.

Este é um procedimento realizado em várias sessões – classicamente é realizado em cerca de 6/7 semanas, durante 5 dias por semana, em sessões de aproximadamente 20-30 minutos. Foram propostos esquemas de duração mais curta, realizados em 15-20 dias e mesmo, mais recentemente, mais curtos - técnica designada por “hipofraccionamento”. Muitos centros fazem tratamentos de 11 dias ou mesmo 5, mas estes são ainda experimentais, não existindo resultados dos estudos de avaliação da eficácia destes tratamentos, nomeadamente a longo prazo. 

Saiba que a Radioterapia pode ser muito eficaz para os casos em que é indicada – tumores confinados à próstata ou localmente avançados, que afectem apenas áreas próximas à glândula.

Além disso, pode ser usada também para recidivas ou para aliviar sintomas, em casos em que o cancro se disseminou.

Alternativas A Radioterapia Para Cancro Da Prostata Conheca Aqui

Carregar na imagem para saber mais sobre Radioterapia Externa para o Cancro da Próstata

 

Tipos de Radioterapia Externa e escolha da técnica mais adequada

Uma vez que a emissão de radiação é efectuada externamente ao corpo, é possível que a mesma atinja tecido saudável, mas a intenção é preservá-lo ao máximo, direccionando a radiação para a zona do tumor.

É feita uma simulação prévia ao procedimento, onde se planeiam as doses de radiação a libertar e as regiões exactas a afectar, com recurso a imagens computorizadas.

Depois, o tratamento de Radioterapia pode ser aplicado de várias formas, sendo as mais comuns:

  • Técnica tridimensional: usa imagens, obtidas geralmente através de tomografia computorizada, para mapear as zonas com precisão e chegar às doses ideais;
  • Técnica de intensidade modulada: sendo uma variante da anterior, permite variar a intensidade das doses de radiação libertadas em vários ângulos usando um software altamente tecnológico. Assim, é possível administrar doses maiores em zonas doentes e menores nas circundantes;
  • Técnica estereotáxica: usando meios imagiológicos, fornece doses mais elevadas, de forma muito precisa e em curtos períodos de tempo.

Além destas, existe a técnica com protões, que liberta doses com propriedades físicas específicas.

A escolha depende de vários factores: características do tumor, inclusive a sua agressividade, estado de saúde do paciente, as suas preferências, a experiência do Radioterapeuta e o tipo de equipamento disponível.
 

Que efeitos provoca?

Apesar dos avanços do método, a Radioterapia ainda pode trazer consequências, principalmente quando a radiação afecta as células saudáveis.

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Alguns efeitos, os de curto prazo, podem manifestar-se ainda durante o tratamento ou logo após o mesmo. Geralmente, acabam por desaparecer com o tempo, à medida que as células começam a auto-regenerar.

Nestes casos, os mais comuns são:

  • Queixas urinárias - vontade miccional súbita, ardor ou desconforto ao urinar, aumento da frequência miccional, hematúria ou incontinência urinária, por exemplo;
  • Problemas intestinais – como sangue nas fezes, dor abdominal, diarreia, desconforto rectal ou aumento da necessidade de evacuar;
    Fadiga.

Por outro lado, alguns sintomas podem demorar meses ou anos a aparecer. Os mais habituais são:

  • Disfunção eréctil (por afectação dos nervos responsáveis pela erecção) – alguns dados mostram que cerca de 63% dos homens submetidos a Radioterapia desenvolveram dificuldades de erecção cinco anos depois do procedimento;
  • Estenoses (apertos) da uretra;
  • Perturbações da ejaculação;
  • Proctite ou cistite rádica – inflamação do recto ou da bexiga, respectivamente. Podem ocorrer anos após o tratamento, desencadeando queixas relacionadas com a inflamação destes orgãos, podendo mesmo levar, no caso da bexiga, a hemorragia importante que pode necessitar de tratamento médico ou mesmo cirúrgico (medicamentos orais, colocados no interior da bexiga, tratamento em câmara hiperbárica ou cirurgia de excisão, de retirada, da bexiga).

Naturalmente, a incidência e a gravidade destes efeitos são variáveis consoante as características do tumor e estado de saúde dos pacientes. Além disso, quanto mais ampla a zona a tratar, maior o risco de consequências.

Saber mais sobre Radioterapia Externa

 

Descubra alternativas à Radioterapia

Apesar da Radioterapia Externa ser ideal para determinados casos, existem outros tratamentos para o Cancro da Próstata, uns mais invasivos que outros, que podem ser mais indicados.

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Vamos conhecer mais sobre cada um deles. 

1. Cirurgias para Cancro da Próstata – como funcionam?

Estes procedimentos têm o intuito de remover a próstata e algumas estruturas adjacentes, como vesículas seminais e uma parte dos canais deferentes, num processo designado por prostatectomia radical.

Tal como na Radioterapia, a prostatectomia é utilizada para cancros localizados ou localmente avançados e as taxas de sucesso são muito semelhantes.

Os avanços deste método permitem dividi-lo em 3 técnicas diferentes, variáveis quanto à sua aplicação mais ou menos invasiva, ainda que todas exijam anestesia. São elas:

  • Cirurgia Laparoscópica: sendo minimamente invasiva, usa pequenas incisões no abdómen por onde passam instrumentos, entre os quais uma micro-câmara para visualizar o processo, para remover a próstata. Permite reduzir complicações durante o procedimento, como perdas de sangue, e acelerar a recuperação; pode ser efectuada com visualização 3D, ou seja, a 3 dimensões
  • Cirurgia Robótica: é uma variante da anterior. O método é o mesmo, mas desta vez o médico usa um robot que replica os seus movimentos em tempo real para proceder à prostatectomia, mas com a vantagem de poderem ser realizados em todas as direcções sem limitações. Utiliza também imagens tridimensionais com alta definição;
  • Cirurgia clássica aberta: neste caso a incisão é maior, desde o umbigo ao osso púbico (prostatectomia retropúbica) ou no períneo (prostatectomia perineal). Como é mais invasiva, o risco de complicações é maior, pelo que é cada vez menos usada, especialmente a variante perineal, que caiu em desuso.


 

A vida pós Prostatectomia

Embora o método laparoscópico (com ou sem robot) seja menos agressivo que o clássico, a eficácia e efeitos secundários parecem ser semelhantes, especialmente quanto à disfunção eréctil e incontinência urinária.

Embora possam ser transitórios, estes métodos, por vezes, podem afectar os nervos e outras estruturas, levando à permanência destes problemas.

  • Além destes efeitos, a prostatectomia pode ainda causar consequências como:
  • Aperto (estenose) do colo da bexiga;
  • Infertilidade – os canais deferentes, responsáveis pelo transporte de espermatozóides, são laqueados, interrompidos;
  • Alterações no pénis – ao retirar a próstata, é também removida parte da uretra, o que, com a interrupção das relações sexuais pelo menos durente algum tempo,  pode fazer o pénis parecer menor;
  • Diferenças no orgasmo, como “orgasmos secos” – pois as estruturas que produziam a maior parte do sémen (próstata e vesículas seminais) são retiradas e os canais deferentes ocluídos.
     

2. Braquiterapia – um Tratamento inovador e eficaz

Este é um procedimento geralmente reservado a próstatas não muito grandes (embora já seja possível realizar um tratamento prévio para reduzir o volume) e a tumores confinados à glândula.

A Braquiterapia é um tipo de radioterapia, mas desta vez interna – através de agulhas inseridas no períneo, são colocados implantes radioactivos dentro da próstata que, ao longo do tempo, vão destruindo o tumor, até ficarem inactivos.

Tudo é controlado com um sistema de imagem altamente avançado, que permite definir e controlar a quantidade, posição e dosagem exacta dos implantes.

Ou seja: permite administrar uma dose elevada de radiação em áreas limitadas, o que é mais difícil com tratamentos externos, garantindo eficácia e segurança, ao evitar a lesão dos orgãos e tecidos circundantes à próstata.

Como é muito direccionada e precisa, a Braquiterapia é também muito rigorosa, melhorando os resultados – as taxas de sucesso para os casos em que é indicada alcançam os 90%, iguais ou superiores à Radioterapia Externa ou os métodos cirúrgicos.
 

 

Efeitos reduzidos com os implantes radioactivos

A forma como a Braquiterapia é realizada permite reduzir os riscos e garantir a segurança – primeiro, porque toda a radioactividade se mantém na glândula, e depois porque as sementes são encapsuladas em titânio, um material seguro.

Além disso, como é um tratamento localizado que permite colocar os implantes com grande precisão, é mais fácil preservar os tecidos e órgãos saudáveis, o que minimiza os seus efeitos.

Na verdade, a Braquiterapia é conhecida por conseguir evitar/diminuir significativamente algumas das consequências mais comuns dos tratamentos do cancro da próstata– a incontinência urinária e a disfunção eréctil.

Mas ainda podem ocorrer queixas urinárias, como ardor miccional, aumento da frequência urinária ou jacto fraco, alterações intestinais, hematúria ou dor no local intervencionado. Estes sintomas tendem a ser passageiros, embora possam durar dias ou semanas.

A esta vantagem de reduzir os efeitos secundários junta-se ainda o facto de ser realizada numa única sessão e de permitir uma recuperação rápida, com retoma quase imediata das actividades habituais.

 

3. Crioterapia para eliminar células neoplásicas

Embora seja sobretudo utilizada em casos de recidiva tumoral, nomeadamente após tratamentos de radioterapia, pode também ser efectuada em casos de tumores localizados, de baixo ou médio risco de disseminação. A Crioterapia usa um gás líquido a temperaturas negativas, libertado através de agulhas inseridas no períneo, para congelar o tecido doente e destruir as células que o originaram.

Com recurso a anestesia, todo o processo minimamente invasivo é controlado por ecografia, permitindo direccionar o gás para o tumor, de forma muito precisa ou, em alternativa, para toda a próstata.

Além de eficaz, tanto para os tumores para que é indicada como para recidivas, usa estratégias de protecção das zonas saudáveis, como um catéter na uretra por onde circula um líquido aquecido ou os sensores de temperatura em vários pontos, quer da próstata quer dos tecidos circundantes.

Contudo, a Crioterapia pode provocar efeitos secundários, geralmente passageiros, mesmo que reduzidos quando comparada a intervenções cirúrgicas ou Radioterapia. São eles:

  • Dor/desconforto na zona intervencionada;
  • Hematúria;
  • Incontinência urinária;
  • “Irritação” da bexiga ou uretra;
  • Estenoses da uretra;
  • Disfunção eréctil;
  • Edema no escroto, pénis ou períneo.

  

Quer descobrir o Tratamento ideal para si? Procure respostas junto de um especialista

Todos estes tratamentos podem ser eficazes no maior objectivo após um diagnóstico de Cancro da Próstata: eliminar o tumor, devolvendo a saúde aos pacientes.

Mas identificar a melhor solução para o seu caso específico requer ajuda médica. Os profissionais irão desenvolver um plano de tratamento individualizado, escolhendo um ou uma combinação entre vários métodos, tentando, simultaneamente, encontrar estratégias para minimizar os riscos de efeitos secundários.

É por isso que é importante escolher uma equipa especializada no tratamento do Cancro da Próstata, como a do Instituto da Próstata. Além da experiência da equipa, beneficia de métodos inovadores e eficazes, como a Braquiterapia, esperando alcançar os resultados que deseja.

Saber mais sobre Radioterapia Externa

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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