7 Exames da Próstata que os homens podem ter de fazer ao longo da vida

Manter um bom estado de saúde ao longo da vida implica realizar de forma periódica algumas avaliações de rotina – é aqui que se enquadram os exames da próstata, não fosse esta uma glândula fundamental no organismo masculino.

Contudo, alguns procedimentos podem provocar receios, levando a que, muitas vezes, sejam protelados até aparecerem queixas incomodativas.

Hoje vamos explicar quais são os exames à próstata mais habituais e o que pode esperar de cada um deles, para que, quando tiver de os realizar, possa fazê-lo com à vontade e confiança.

 

Por que deve fazer Exames regulares à Próstata?

Os testes à próstata têm como intuito detectar anomalias e eventuais problemas neste órgão. Isto é essencial pois algumas patologias são muito frequentes (e as mais graves podem não causar quaisquer sintomas até fases avançadas), entre as quais:

Os testes permitem diagnosticar estas doenças e definir uma estratégia terapêutica adequada, se algum problema for encontrado.

Mas o maior contributo dos exames regulares passa por conseguir diagnosticar estas condições numa fase precoce. Isto é importante porque a grande maioria das patologias são tratáveis quando detectadas em fases iniciais.

Pelo contrário, deixar que se desenvolvam pode aumentar as queixas, diminuir a possibilidade de tratamento e até pôr em risco a vida.

Assim, estas práticas assentam numa estratégia de prevenção do agravamento do estado de saúde, fundamental na maioria dos casos. Por exemplo, nos cancros prostáticos, o diagnóstico precoce permite reduzir a taxa de mortalidade (que em Portugal é da ordem das 2000 mortes por ano), pois é realizado em fases em que ainda é possível erradicar por completo a doença.

 

Quando devem ser realizados?

É frequente que os exames à próstata sejam realizados em caso de queixas, mas saiba que deve fazê-los mesmo na ausência de qualquer sintoma. Afinal, algumas patologias são silenciosas numa fase inicial, desenvolvendo-se sem manifestações – é o caso da Hiperplasia Benigna da Próstata e sobretudo do Cancro da Próstata, por exemplo.

Então, quando deve realizá-los?

Os especialistas indicam que os homens com mais de 50 anos devem submeter-se a certos exames todos os anos, já que a maioria das condições que afectam a próstata são mais propícias a aparecerem com o avançar da idade.

Ainda assim, em caso de factores de risco para cada uma delas, pode começar a ser testado mais cedo, pois a probabilidade de desenvolvimento é maior.

No caso do cancro prostático, por exemplo, a American Cancer Society recomenda realizar exames segundo as seguintes orientações:

  • A partir dos 50 anos: homens com baixo/médio risco;
  • A partir dos 45 anos: homens com risco elevado – de raça negra ou com parente de primeiro grau (pai ou irmão) diagnosticado precocemente com cancro prostático (antes dos 65 anos);
  • A partir dos 40 anos: homens de risco ainda mais alto, com mais do que um parente de primeiro grau diagnosticado com cancro numa idade precoce.

 

Quais os Exames da Próstata habituais?

7 Exames Da Prostata Que Os Homens Podem Ter De Fazer Ao Longo Da Vida Instituto Da Prostata

Durante as consultas de rotina podem ser solicitados vários exames. Os mais habituais são a Análise ao PSA e o Toque Rectal. Depois, se for necessário aprofundar a avaliação ou averiguar suspeitas de doença podem ser pedidos outros testes consoante as suas necessidades.

Mas, para que perceba melhor, vamos conhecer cada um dos exames que pode vir a realizar.

 

1. Análise do PSA

Este teste consiste numa colheita sanguínea, recorrendo a uma técnica específica designada radioimunoensaio. O objectivo é medir os níveis de PSA, uma glicoproteína encontrada no sangue periférico, nas células da próstata e no sémen. Mas por que importa descobrir os seus níveis?

Uma dose elevada desta substância pode ser indicativa de tumor prostático. Na verdade, é por isso que hoje a Análise ao PSA é um dos melhores marcadores tumorais, já que permite identificar suspeitas mesmo na ausência de outros sintomas.

De forma a tornar o resultado o mais específico possível, medem-se também parâmetros como a densidade e velocidade do PSA, a relação entre PSA livre e total, o PSA da zona de transição e adapta-se o PSA em função da idade.

Mas, dado que existem outras razões que fazem aumentar o PSA, algumas delas sem qualquer base patológica, os resultados são enquadrados na sua história clínica, idade e características da próstata. A partir daí, o médico define a periodicidade de repetição da análise e a eventual necessidade de outros exames complementares.

 

2. Toque Rectal

Ainda que motivo de muita preocupação, saiba que o contributo do Toque Rectal é essencial: é o único exame que permite palpar os tecidos da próstata e circundantes, identificando alterações e reunindo informações relevantes como dimensões, consistência, regularidade e eventual presença de zonas suspeitas na glândula.

Assim, é um dos procedimentos mais úteis para o diagnóstico, em especial, do cancro prostático numa fase inicial e limitada da doença, onde o tratamento é mais eficaz.

Mesmo após o tratamento, é importante para monitorizar a evolução clínica.

O procedimento é bastante simples: depois de colocado na posição recomendada pelo médico, este insere uma parte do dedo indicador lubrificado no seu recto apenas durante alguns segundos, procedendo à palpação dos tecidos. É, assim, indolor.

A partir dos seus resultados, que são imediatos, é possível definir o próximo passo a seguir: repetir o Toque Rectal, de modo geral, a cada 1/2 anos, se estiver normal, ou realizar outras avaliações complementares.

 

3. Biópsia Prostática

Se, após o Toque Rectal e Análise do PSA, o seu quadro clínico levantar suspeitas de tumor, é uma Biópsia Prostática que terá de realizar. Este é o único método que permite confirmar ou excluir casos de cancro.

Em casos positivos, permite ainda definir o estadiamento do tumor, fundamental para determinar o tratamento.

Realizado por via trans-rectal (ou perineal - ver abaixo), o procedimento começa pela administração de anestesia, seguido pela inserção de uma sonda no ânus para visualizar as estruturas internas e por onde passam agulhas especiais para retirar fragmentos de tecido prostático (cerca de 12) em zonas consideradas suspeitas.

Exame Biopsia Prostatica Trans Rectal 2

 

Depois, estas recolhas serão analisadas em laboratório para chegar a um diagnóstico.

Em casos em que os resultados são negativos e a suspeita se mantém elevada, a Biópsia pode ser repetida. Nessas situações, podem recolher-se mais fragmentos de tecido, numa variação do procedimento designada Biópsia de Saturação.

 

3.1 Biópsia Prostática de Fusão

Este método é uma variação do anterior. A função é a mesma: recolher amostras de tecido suspeito para confirmar ou excluir o diagnóstico de tumor. Contudo, a Biópsia Prostática de Fusão é conhecida por ser mais rigorosa e precisa que a técnica clássica. Porquê?

Primeiro porque, numa fase inicial, realiza-se uma Ressonância Magnética para identificar as regiões suspeitas de tumor. Depois, no dia da Biópsia, sobrepõem-se estas imagens com as da ecografia com um sistema próprio, permitindo guiar as agulhas de forma mais precisa até às zonas a intervencionar.

Além disso, é pode ser realizada por via perineal, o que, além de reduzir o risco de infecções, permite facilitar o acesso com as agulhas a certas zonas da glândula e até a lesões de pequenas dimensões.

Ainda que lhe possa parecer doloroso, estará sob o efeito de anestesia e a inserção e remoção das agulhas ocorrem numa fracção de segundo, o que reduz o desconforto.

 

4. Ressonância Multiparamétrica da Próstata

Sendo cada vez mais usada em casos suspeitos de doença ou de recidiva, a Ressonância Multiparamétrica da Próstata utiliza campos magnéticos para formar imagens detalhadas dos tecidos do órgão, podendo ainda ser injectada uma substância de contraste por via intravenosa, que melhora estas imagens.

Assim sendo, é utilizada para avaliar a glândula quanto à sua estrutura celular, anatómica e vascular, de forma a identificar regiões suspeitas de lesão e definir as suas características, sendo fundamental para um correcto estadiamento da doença.

Além disso, auxilia na realização de outros exames, como a Biópsia.

Durante o procedimento, estará deitado num aparelho, durante cerca de uma hora, dentro de uma estrutura própria que emitirá as ondas e captará as imagens, de forma indolor.

 

5. PET, PET-CT e PET-PSMA

O exame designado PET (Positron Emission Tomography) tem como função analisar o metabolismo das estruturas internas do corpo.

Quando utilizado para avaliar a próstata, permite identificar alterações nestes processos - que podem significar tumor, através de uma substância injectada e que é captada pelas células doentes, sendo a posição dessas células detectada por equipamentos próprios, assinalando de forma precisa a localização das mesmas.

É assim um exame importante em casos suspeitos de tumor ou de progressão do mesmo, pois permite definir a sua extensão e estadiamento e programar o tratamento.

Este método apresenta diversas variantes:

  • PET-CT: permite obter dados adicionais ao utilizar em simultâneo uma Tomografia Computorizada;
  • PET-PSMA: ideal para detectar tumores pequenos em fases iniciais que passem despercebidos no PET “clássico”, ao usar um componente emissor de radiação muito específico para células de tumor da próstata.

Este é um exame muito seguro e sem efeitos secundários, já que a radiação utilizada é muito baixa.

 Exame Pet E Pet Ct 2

 

 

6. Ecografia da Próstata

Podendo ser realizada por via supra-púbica, através da parede abdominal, ou por via trans-rectal, a Ecografia Prostática permite obter imagens em tempo real deste órgão com uma sonda, fornecendo informações válidas para identificar eventuais patologias, como tamanho e alterações da sua estrutura, perante suspeitas.

Contudo, por si só é insuficiente para um diagnóstico completo, embora útil.

É um procedimento muito rápido e bem tolerado, em especial se realizado através da parede abdominal, cujo método exige apenas a ingestão prévia de muitos líquidos.

Exame Ecografia Da Prostata

 

7. Fluxometria Urinária

Este exame visa avaliar a capacidade miccional, medindo parâmetros como o fluxo máximo e médio, volume urinado, morfologia da curva e tempo de micção, e comparando-os com os valores considerados normais consoante as características, história clínica e idade dos pacientes.

Mas qual a relevância destes dados?

Quando ocorrem alterações na próstata, a micção pode sofrer alterações. Para ter uma ideia, um jacto urinário fino ou fraco pode resultar de um aumento do volume da próstata, de outras formas de obstrução ou de um mau funcionamento da bexiga. Assim, é um exame complementar para chegar a um diagnóstico mais completo.

O procedimento da Fluxometria Urinária é tão simples como urinar de forma normal, mas para um aparelho (uma espécie de funil ligado a um aparelho próprio – o urofluxómetro) que regista todos os parâmetros mencionados. Depois, o médico analisará o relatório e definirá os próximos passos a dar. 

 Exame Fluxometria Urinaria 3

 

 

Realize os seus Exames à Próstata consoante as recomendações do seu médico e proteja a sua Saúde

Como vimos, todos estes exames são úteis para definir o quadro clínico dos pacientes e chegar a um diagnóstico preciso, permitindo realizar o tratamento adequado se forem identificadas patologias urológicas.

Já sabe que a Análise ao PSA e o Toque Rectal costumam ser recorrentes, mas a sua periodicidade e a necessidade de outros métodos complementares só podem ser definidas por um especialista.

Evite que a correria do dia a dia o impeça de cuidar da sua saúde – procure especialistas em procedimentos para a próstata, como os do Instituto da Próstata, e contribua de forma activa para viver mais e melhor.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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