6 formas de tratar a Incontinência Urinária Masculina

Quem sofre de perdas involuntárias de urina, a chamada incontinência urinária, procura incessantemente soluções eficazes que acabem com o problema.

Afinal, é uma condição que traz consigo muitos constrangimentos que limitam a vida em vários aspectos.

Hoje existem já muitas opções disponíveis, mas é importante perceber em que situações se aplicam, como funcionam e os resultados que permitem obter.

 

Técnicas invasivas ou não invasivas

A incontinência urinária pode ter várias causas e manifestar-se através de vários sintomas, pelo que os quadros clínicos não são todos iguais.

Assim, os tratamentos variam consoante o tipo de incontinência em questão.

Podemos dividi-los em dois grupos: métodos invasivos ou não invasivos.

Um dos aspectos que mais os diferencia é o tempo até serem notados efeitos.

Nos invasivos, normalmente, a incontinência acaba ou diminui significativamente logo após a intervenção. Nos não invasivos, as perdas de urina vão geralmente melhorando progressivamente.

Por outro lado, os não invasivos são mais utilizados em casos ligeiros, reservando-se os invasivos para os casos moderados ou graves

Vamos conhecê-los mais detalhadamente.

6 Formas Tratar Incontinencia Urinaria Masculina

1. Alteração de hábitos

Podem ser aconselhadas algumas mudanças comportamentais que, embora não sejam causa directa da condição, podem contribuir para a sua evolução.

Algumas medidas sugeridas que podem melhorar a qualidade de vida são:

  • Manter um peso saudável;
  • Melhorar hábitos alimentares;
  • Controlar o número de idas à casa de banho (idealmente 6 a 8 vezes/dia).
  • Evitar ingerir substâncias que “irritem” a bexiga, como álcool ou cafeína;
  • Ingerir a quantidade diária de líquidos recomendada.

 

2. Terapêutica Médica

Este método não é adequado para todos os tipos de incontinência. É eficaz sobretudo para a incontinência associada a  Bexiga Hiperactiva, combatendo as alterações que fazem com que este órgão contraia anormalmente, gerando uma pressão no interior da bexiga que excede a capacidade do esfíncter, causando perda de urina.

Nesta tipo de tratamento, terapêutica médica, um medicamento pode ”não funcionar”, não ser eficaz ou deixar de fazer efeito  após algum tempo de tratamento; neste caso, pode alterar-se o medicamento, utilizando outro fármaco que, nesse doente específico, poderá ser mais eficaz.

As soluções são as seguintes:

  • Beta-3 agonistas ou Anti-muscarínicos: são os medicamentos mais usados, tomados por via oral;
  • Toxina Botulínica: conhecida como Botox (nome comercial), por norma é muito eficaz. Em vez de uma toma diária, por via oral, em comprimidos, é administrada de forma minimamente invasiva em intervalos variáveis, sendo que o seu efeito pode durar de 6 a 12 meses ou mais;
  • Neuromoduladores (uma espécie de “pacemakers”, para a bexiga): capazes de controlar os casos de maior gravidade e mais resistentes.

É importante perceber que, mesmo que não elimine totalmente o problema, a terapêutica médica pode controlá-lo, melhorando muito significativamente a qualidade de vida.

Este tratamento geralmente prolonga-se ao longo da vida, havendo a necessidade de acompanhamento médico, uma vez que a doença pode evoluir e torna-se imperativo ajustar a medicação ou controlar possíveis efeitos secundários, ao longo do tempo, para assegurar a maior eficácia e melhoria da qualidade de vida possíveis.

 

3. Reabilitação Pélvica

O objectivo dos métodos de reabilitação pélvica é devolver a capacidade perdida de contracção/ descontracção, tonicidade e firmeza aos músculos e estruturas pélvicas, necessários para que a perda involuntária de urina não ocorra.

Podem ser usadas seguintes metodologias:

  • Fisioterapia: técnicas específicas de manipulação para estimular e fortalecer os diferentes grupos musculares envolvidos;
  • Exercícios de Kegel: exercícios simples, baseados na contracção e descontracção dos músculos pélvicos, das coxas e outros, para facilitar o controle do fluxo de urina;
  • Electroestimulação e Biofeedback: técnicas mais recentes e eficazes, em que se pretende forlalecer os músculos com micro-estímulos eléctricos e para que o paciente aprenda a contrair os músculos certos na altura certa.

É fundamental que os exercícios que podem ser realizados autonomamente pelos doentes sejam praticados diariamente para melhorar os resultados.

 

4. Injecção de Bulking Agents

A partir deste ponto, entramos no campo das cirurgias minimamente invasivas.

Para casos ligeiros, este método apresenta resultados de sucesso razoável.

Por via endoscópica, é injectado um produto em torno da uretra, ou na sua parede, que a encerra, ajudando o esfíncter a conter a urina.

Existe uma outra alternativa – a inserção de microbalões – que ajuda a comprimir a uretra para que não haja perdas.

 

5. Slings/Fitas Sub-uretrais

Através da colocação de uma fita/alça por baixo da uretra (e que, lateralmente, atravessa umas estruturas designadas por buracos obturadores), com recurso a anestesia geral ou raquianestesia, é possível comprimir a uretra, reposicioná-la e restaurar a dinâmica do esfíncter.

Assim, o paciente deixa de perder urina, mas consegue urinar normalmente quando necessário.

Existem vários tipos de slings: ajustáveis ou não ajustáveis, sendo que os primeiros podem ser insufláveis, permitindo que sejam ajustados quanto ao grau de compressão da uretra após a intervenção.

Normalmente, esta técnica é indicada para casos de incontinência moderada, apresentando elevadas taxas de sucesso.

 

6. Esfíncter Urinário Artificial

Este procedimento é reservado a casos de incontinência de esforço de grau moderado ou grave, causado por lesão ou deficiência do esfíncter.

O processo consiste na colocação de uma dispositivo circunferencial em redor da uretra, comprimindo-a quando se pretende manter a continência ou abrindo o seu calibre durante a micção.

Neste método, o paciente consegue activar esse dispositivo quando pretende urinar, assegurando a continência nas restantes alturas.

 

Acerte no Tratamento e diga adeus à Incontinência Urinária

Todos os tratamentos para a incontinência urinária têm as suas particularidades e efeitos.

Por isso, deve aconselhar-se junto de um médico, para que possa fazer um diagnóstico criterioso e aconselhar a melhor solução.

No Instituto da Próstata estamos aptos a ajudá-lo a ver-se livre do problema para começar a viver em pleno.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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