Terapêutica Médica para a Incontinência Urinária

Em que consiste a Terapêutica Médica para a Incontinência Urinária?

Existem vários tipos de incontinência. Para um desses tipos, a incontinência urinária de esforço, não existem no momento actual medicamentos válidos e eficazes. Ou seja, a base do tratamento da incontinência urinária de esforço pura não passa pelo tratamento com medicamentos, pela medicação oral. A causa desta incontinência reside habitualmente num de dois factores (isolados ou associados): uma alteração da normal posição da uretra ou um problema do esfíncter urinário (que não apresenta a capacidade de contrair de forma normal, pelo que não tem capacidade para encerrar a uretra – e assim impedir as perdas de urina). 

No entanto, existe um tipo de incontinência associado a alterações do funcionamento da bexiga (e não a um problema da uretra ou do esfíncter). Diz-se que existe uma “Bexiga Hiperactiva”, que contrai anormalmente. Nestes doentes, a contracção da bexiga gera pressões tão elevadas no interior deste órgão, que, mesmo com um esfíncter normal, isto é, a desempenhar normalmente o seu papel (e a contrair com força normal), ocorre perda de urina - a pressão na bexiga excede a “força” do esfíncter e desencadeia-se a incontinência. Tipicamente, os doentes afectados por este problema sentem uma vontade súbita e incontrolável de urinar e, mesmo tentando reter a urina e evitar as perdas, estas acabam por acontecer.

Neste tipo de incontinência, o alvo do tratamento é a bexiga. Pretende-se combater a alteração referida do seu funcionamento. Por isso e felizmente, podem utilizar-se medicamentos que vão actuar na bexiga, induzindo um “relaxamento” da mesma, ou pelo menos uma redução da intensidade das suas contracções inadequadas (que em linguagem médica são designadas por “Contracções Não Inibidas do Detrusor). 

Quais os Procedimentos para a Terapêutica Médica?

Existem diversos medicamentos que podem ser utilizados (em comprimidos, tomados por via oral), com maior ou menor eficácia e maior ou menor taxa de efeitos secundários. São a primeira linha de tratamento das incontinências por Bexiga Hiperactiva.

 

Anti-Muscarínicos e Beta-3 Agonistas

Os medicamentos mais frequentemente utilizados pertencem a uma destas classes:

  • “Anti-muscarínicos” (por exemplo a solifenacina, o cloreto de trospium, a oxibutinina ou, menos utilizados, a tolterodina e a darifenacina);
  • “Beta-3 agonistas” ou “Beta-3 adrenérgicos” (mirabegron).

 

Toxina Botulínica

Se os medicamentos anteriores não forem suficientemente eficazes ou se deixarem de ser eficazes após algum tempo (o que ocorre com frequência), existem felizmente outras alternativas.

Nestes doentes, à semelhança do que se faz com a hipertensão arterial ou a diabetes melitus, utiliza-se uma terapêutica “em escada”, por “degraus” ou “linhas terapêuticas”. Quer isto dizer que quando os medicamentos utilizados num determinado patamar deixam de ser utilizados, passamos para o patamar, para o “degrau” seguinte.

A etapa seguinte de tratamento passa pela administração de “Botox” (nome porque é mais conhecida a toxina botulínica), medicamento muito utilizado em cirurgia estética ou para o tratamento de alguns tipos de tremor involuntário, por exemplo. O efeito que se induz é, também neste caso (mas de forma mais eficaz) o relaxamento da bexiga. Pretende-se combater a referida contracção anormal da bexiga.

É um medicamento muito eficaz e cujo efeito permanece de 6 a 12 (ou mais) meses. Deste modo, em vez de os/as doentes realizarem um tratamento diário com medicamentos, aplica-se este produto em intervalos variáveis, geralmente próximos de um ano, controlando as contracções da bexiga e melhorando significativamente a qualidade de vida.

 

Neuromoduladores

Nos doentes que não respondem à toxina botulínica ou que preferem optar por outro tipo de tratamento, existe ainda a possibilidade de utilizar um neuro modulador. Com este dispositivo, semelhante aos pacemakers utilizados para o coração, consegue-se geralmente controlar até os casos mais graves ou “rebeldes”, isto é, muito resistentes às diferentes terapêuticas utilizadas. É um procedimento cada vez mais comum e mais utilizado em urologia.

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Como é o Acompanhamento após o Tratamento?

Os doentes que efectuam tratamento médico para a incontinência necessitam geralmente de um acompanhamento regular para o resto da vida (ou pelo menos muito prolongadamente). O motivo para esta necessidade de acompanhamento prolongado prende-se com as características da doença e dos próprios medicamentos. 

A doença - e a sua evolução - é muito variável de pessoa para pessoa. A eficácia dos medicamentos, por outro lado, pode também variar ao longo do tempo. É relativamente frequente constatar-se uma redução da sua eficácia. Pode ser por isso necessário aumentar a dose ou mesmo mudar de fármaco; esta mudança é muitas vezes necessária mas, felizmente e em grande parte das pessoas permite um bom controle da situação durante um longo período de tempo.

Outro motivo para alteração e ajuste da terapêutica são os efeitos secundários. Alguns doentes desenvolvem efeitos secundários (como secura da boca, secura dos olhos ou alterações do trânsito intestinal) o que implica, também por este motivo, uma adequação do tratamento.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

Perguntas Frequentes sobre a Terapêutica Médica para Incontinência Urinária

É possível tratar a incontinência urinária com medicamentos?

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Os medicamentos para a incontinência urinária são eficazes?

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Durante quanto tempo se faz este tratamento para a incontinência?

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Referências

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