Braquiterapia para o Cancro da Próstata

Em que consiste a Braquiterapia?

A braquiterapia prostática é uma das terapêuticas oncológicas mais eficazes no tratamento do cancro da próstata localizado e permite tratar entre 80-90% dos casos

Esta técnica apresenta vários benefícios, quando comparada com outros tratamentos:

  • Elevada taxa de sucesso;
  • Intervenção rápida, entre 1 a 2 horas;
  • Alta no próprio dia ou no dia seguinte;
  • Poucos efeitos secundários; 
  • Rápido regresso à actividade diária. 

Primeiro, porque permite destruir as células cancerígenas sem danificar os órgãos e os tecidos próximos à próstata. Segundo, porque afasta duas consequências mais temidas e associadas aos tratamentos: a incontinência urinária e a disfunção eréctil. 

Nesta forma de utilização da radiação, a fonte da radiação é precisa e localizada (dentro da próstata), não sendo proveniente de uma fonte externa, como no caso da radioterapia externa.

Como é efectuado o Procedimento de Braquiterapia?

A braquiterapia intersticial, como também é designada, consiste na inserção de implantes (“sementes”) radioactivos no interior da próstata - do tamanho de um bago de arroz - directamente na próstata. 

O controlo do número e da posição das sementes a utilizar realiza-se através de um sistema computorizado altamente sofisticado e com recurso a um software específico.

A radiação no interior das sementes vai sendo libertada de forma gradual, sem causar danos aos órgãos envolventes. Os minúsculos implantes permanecem na glândula prostática, ou seja, não são retirados, embora fiquem inactivos ao final de alguns meses. 

O procedimento dura entre 1 a 2 horas (dependendo do tumor) e implica uma anestesia. O doente está a dormir durante toda a intervenção ou, em alternativa, pode ser utilizada uma raquianestesia (semelhante a anestesia epidural). O paciente permanece acordado, mas não sentirá nenhuma dor na zona inferior do corpo. 

Por norma, é aconselhada uma limpeza intestinal prévia. 

Após a intervenção, segue-se um período de internamento curto, geralmente inferior a 24 horas, podendo, de seguida, o doente regressar a casa e às suas actividades diárias. 

Esta terapêutica oncológica pode ser combinada com outros tratamentos para potenciar os resultados. 

A realização da Braquiterapia exige uma equipa multidisciplinar que inclui um Urologista, um Radioterapeuta e um Físico, bem como um Anestesista. A acção conjunta e diferenciada, permite obter os bons resultados descritos para esta abordagem.

Trata-se de uma técnica pouco invasiva. Ao contrário de uma cirurgia tradicional, nesta abordagem, não há necessidade de realizar uma incisão cirúrgica. 

Indicações para Braquiterapia

Este tratamento é recomendado quando o tumor está localizado, ou seja, limitado à próstata, sem afectar outros órgãos.

Se o cancro não ultrapassou os limites da próstata, a expectativa é que a braquiterapia permita curar a doença e eliminar o cancro. 

Classicamente, eram considerados critérios ideais para a realização desta técnica, os seguintes: 

  • Score de Gleason ≤ 6;
  • PSA ≤ 10ng/ml;
  • Volume prostático ≤ 50cc;
  • Fluxo máximo (Qmáx) > 11ml/seg (o Qmáx é parâmetro mais importante obtido na urofluxometria).

No entanto, os bons resultados obtidos e a evolução da técnica permitiram alargar este tratamento a doentes com tumores com características diferentes das referidas. Possibilitou-se assim que estes doentes tivessem acesso às grandes vantagens desta técnica, mantendo a eficácia oncológica do tratamento. Assim, actualmente, já é possível tratar doentes com tumores com Gleason 7, PSA ligeiramente superior a 10 ng/ml ou volumes prostáticos também um pouco acima dos 50cc.

A braquiterapia, portanto, é indicada em tumores com determinados graus de diferenciação, não estando indicada em alguns tipos de tumor. 

Os doentes com sintomas de esvaziamento obstrutivos marcados não são os candidatos ideais para a realização da técnica. As queixas podem agravar-se após o tratamento, correndo o risco de retenção urinária. 

Vantagens da Braquiterapia

A braquiterapia intersticial da próstata apresenta inúmeras vantagens em relação a outros tipos de tratamentos , tais como: 

  • Elevada eficácia (igual ou superior à radioterapia externa);
  • Menor taxa de efeitos secundários (como o risco de incontinência e problemas de erecção); 
  • Menor tempo de anestesia e de internamento (o doente costuma ter alta no dia seguinte ou no próprio dia da intervenção);
  • Menor tempo de algaliação, apenas algumas horas;
  • Rápido regresso à actividade normal do dia a dia. 

Contudo, esta opção terapêutica apresenta algumas limitações práticas para a sua realização.

Por norma, é indicada para próstatas não muito volumosas. No entanto, com a evolução técnica ocorrida, é possível realizar este tratamento mesmo que o volume seja superior a 50cc. Ou seja, actualmente é já possível tratar próstatas de dimensão um pouco superior. E mesmo se o volume for muito elevado e a opção do doente for esta, há uma solução: pode ser realizado um tratamento hormonal prévio à braquiterapia com o objectivo de reduzir o volume do órgão e viabilizar a realização da técnica. 

O médico pode também considerar vantajoso combinar abordagens. Ou seja, a braquiterapia pode ser associada à radioterapia externa por forma a potenciar os resultados.

Video Tratamento Braquiterapia
O Dr. José Santos Dias explica a técnica da Braquiterapia no Tratamento do Cancro da Próstata.

Quer saber mais sobre este tratamento?

A Braquiterapia é uma forma de radioterapia em que a radiação é emitida a partir do interior do próprio organismo. São colocados implantes diretamente no interior da próstata, que são a fonte da radiação,. É uma técnica com muito bons resultados no tratamento do cancro da próstata localizado.

Como é o Acompanhamento após a Braquiterapia?

Embora a braquiterapia prostática apresente menos efeitos secundários comparativamente a outros tratamentos, pode surgir um aumento transitório das queixas urinárias, entre elas: 

  • Aumento da frequência das micções (de dia e/ou de noite);
  • Jacto fino ou fraco;
  • Dor ou ardor a urinar.

Estas são manifestações agudas, que tendem a desaparecer com o passar do tempo, sobretudo quando o doente cumpre as indicações do médico especialista. Caso as queixas persistam, pode ser realizado um tratamento complementar para aliviar os sintomas. 

Contudo, o doente deve estar atento a alguns sintomas - como por exemplo, urina com muito sangue ou coágulos, queixas de retenção urinária, ou seja, não ser capaz de urinar ou sugestivas de infecção. Estes são sintomas raros mas que podem exigir cuidados médicos a curto prazo. 

Três semanas a um mês após a intervenção, segue-se a habitual consulta de rotina.

A partir daqui, é habitual serem efectuadas consultas de 3 em 3 meses, no primeiro ano. Após este período, habitualmente e se a situação clínica o permitir, o prazo será alargado (4/4 meses no segundo ano, depois 6/6 meses e finalmente, depois do 5º ano, consulta anual). 

O follow-up inclui doseamento do PSA e toque retal, embora podem ser indicados outros exames em função dos achados ou particularidades de cada doente, detectados pelo médico urologista. 

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

Perguntas Frequentes sobre Braquiterapia

Quais as vantagens da Braquiterapia?

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Como é realizada a Braquiterapia?

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A que doentes se aplica esta técnica e porquê?

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A Braquiterapia tem efeitos secundários?

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Referências

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