Outras doenças

O que são as Estenoses da Uretra?

As estenoses ou apertos da uretra são zonas de redução do calibre da uretra, causadas por cicatrizes do epitélio uretral da uretera que condicionam uma obstrução do lúmen da uretra. Estes apertos envolvem com frequência o corpo esponjoso adjacente ao epitélio, determinando a designada espongiofibrose.

A uretra é dividida anatomicamente em duas partes: a uretra anterior (uretra bulbar e uretra peniana) e a uretra posterior (uretra prostática e uretra membranosa).

Tratamento da Estenose da Uretra

De uma maneira geral podem ser utilizadas a dilatação da uretra, a uretrotomia interna  e a uretroplastia. O objectivo do tratamento, independentemente da técnica utilizada, é o restabelicmento do normal calibre da uretra.

Dilatação da Uretra 

Com esta técnica pretende-se conseguir uma ruptura das fibras que constituem a cicatriz, sem produzir mais inflamação e induzir mais fibrose. 

Uretrotomia Interna

É uma cirurgia endoscópica, realizada sob visão directa da estenose com uma câmera e efectuada por via transuretral. A taxa de sucesso a longo prazo é baixa sendo, apesar disso, a técnica mais utilizada em primeira instância pois é menos agressiva, mais
rápida e não implica uma cirurgia tão invasiva.

Uretroplastia 

A cirurgia reconstrutiva da uretra é considerada curativa. Esta cirurgia utiliza técnicas de transferência de tecidos (enxertos ou retalhos), usados para aumentar o calibre uretral.

O que é a Disfunção Eréctil?

A disfunção eréctil, comumente conhecida por impotência, é a incapacidade persistente em obter e/ou manter uma erecção suficiente para um desempenho sexual satisfatório.

Esta patologia afecta mais de 152 milhões de homens em todo o mundo, mais prevalente nos homens entre os 50 e 80 anos de vida. Estima-se que afecte
mais de 10% dos homens portugueses, ou seja, cerca de 450.000 homens.

A disfunção reflecte-se na saúde física e psicossocial e é uma importante causa de diminuição da qualidade de vida.

Tratamento da Disfunção Eréctil

O tratamento da disfunção eréctil, à semelhança do tratamento de doenças como a diabetes, a hipertensão ou o colesterol, implica geralmente um tratamento crónico. Só em algumas situações, muito específicas, é transitório e pode ser considerado curativo.

O tratamento inclui: 

  • Psicoterapia para a disfunção eréctil psicogénica;
  • Medicamentos (comprimidos, para toma oral) do grupo dos Inibidores da 5 Fosfodiesterase (avanafil, tadalafil, vardenafil e sildenafil);
  • Medicamentos em creme aplicados no pénis (alprostadil tópico);
  • Injecções deste fármaco no próprio pénis (alprostadil intra-cavernoso);
  • Colocação de prótese peniana;
  • Cirurgia de revascularização peniana (raramente utilizada actualmente);
  • Outras (como a utilização de dispositivos de vácuo ou anéis constritores penianos);
  • Hormonoterapia de substituição para causas hormonais de disfunção eréctil.

A adopção de estilos de vida saudáveis, de uma dieta saudável, a redução da obesidade, a prática de exercício físico e o combate ao sedentarismo, o abandono do consumo de tabaco, o controle dos níveis de glicemia e colesterol (ou seja, o controle de diabetes melitus e de dislipidemias, nos doentes que sofrem destas doenças) associam-se à  melhoria da função endotelial e a uma significativa redução dos marcadores sistémicos de inflamação vascular, com consequente melhoria da disfunção eréctil.

 

O que é a Doença de La Peyronie?

A doença de La Peyronie caracteriza-se pela curvatura do pénis em erecção devido à presença de uma placa fibrosa anormal no corpo cavernoso, o que acarreta uma perda de elasticidade. A fibrose desenvolve-se no “invólucro” do
corpo cavernoso – a cápsula albugínea - e tem como consequência o
desenvolvimento de uma curvatura, apenas detectável em erecção, que tem
geralmente um agravamento progressivo, no início da doença. Esta curvatura
agrava-se até que, finalmente, estabiliza (e o ângulo da curvatura deixa de
aumentar).

Esta anomalia deve o seu nome ao médico, François de La Peyronie, que a descreveu pela primeira vez em 1743. 

Tratamento da Doença de La Peyronie

Não existe actualmente nenhuma terapêutica médica eficaz. Esta é de qualquer modo utilizada durante a fase aguda, de maturação da placa fibrosa, isto é, no período de 6 a 12 meses do início da doença, em que a cicatrização ainda não está completa.

O tratamento mais eficaz é a correcção cirúrgica. Está indicada nos casos de curvatura significativa e estável, geralmente com uma angulação superior a 30 graus ou quando se acompanha de disfunção eréctil. Apenas deve ser executada depois da curvatura estar estabilizada por um período de, pelo menos, 4 a 6 meses.

Os tipos de cirurgia (designada de corporoplastia) são os seguintes:

  • Plicatura da albugínea;
  • Incisão e plastia contralateral à placa;
  • Incisão da placa e colocação de um enxerto;
  • Excisão da placa e colocação de enxerto;
  • Qualquer destas modalidades associadas à colocação de prótese peniana.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"
Referências

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