Tratamento do Cancro na Bexiga com Técnicas Minimamente Invasivas

Receber um diagnóstico de cancro na bexiga leva à necessidade, por parte dos pacientes, de reunirem toda a informação sobre a patologia.

Uma das questões mais fundamentais prende-se com as medidas de tratamento.

As técnicas minimamente invasivas, sempre que possíveis, tendem a ser as escolhidas actualmente.

Vamos conhecê-las neste artigo.

 

Cancro na Bexiga – um olhar sobre o problema

Esta doença nasce da multiplicação anormal das células deste órgão, originando uma massa tumoral.

Ainda que existam outros tipos de cancro na bexiga, estima-se que mais de 90% dos casos digam respeito a tumores no urotélio (tecido que reveste o interior do órgão e vias urinárias).

Tendo uma maior prevalência em idades acima dos 60 anos, é mais comum nos homens.

Habitualmente, esta patologia manifesta-se através dos seguintes sintomas:

  • Hematúria (o mais frequente);
  • Ardor miccional;
  • Vontade súbita de urinar;
  • Aumento da frequência miccional;
  • Disfunção eréctil;
  • Incontinência de urgência.

Além disso, estes tumores podem ser classificados da seguinte forma:

  • Tumores superficiais: os mais frequentes, que se limitam ao local de origem e não alastram para o músculo da parede da bexiga;
  • Tumores invasivos: invadem o músculo da parede da bexiga ou mesmo outras estruturas além deste órgão, podem ultrapassar os seus limites e afectar tecidos adjacentes ou desenvolver metástases à distância.

 

Para resolver o Cancro da Bexiga

Naturalmente, o melhor para o doente é encontrar soluções que eliminem em definitivo o problema, na melhor das hipóteses, ou que retardem a sua evolução e efeitos.

Para isso, é preciso fazer o seu estadiamento, conhecer a sua agressividade, a localização e dimensões, pois a escolha do tratamento mais adequado depende destas informações, através de um diagnóstico preciso.

Só então é definida uma estratégia terapêutica – os métodos mais frequentes são os cirúrgicos, principalmente os minimamente invasivos.

Na maior parte dos casos, nestes tratamentos, além de eficazes, o risco de complicações é mais reduzido, assim como o tempo de internamento (às vezes inferior a um dia) e de recuperação. 

Cancro Bexiga Tecnicas Minimamente Invasivas

Cirurgia Endoscópica – o que é?

Também conhecido como ressecção trans-uretral vesical, é um método usado em tumores superficiais, que estão em estádios precoces, não sendo necessária qualquer incisão.

Com um instrumento endoscópico inserido através da uretra e recorrendo a anestesia geral ou raquidiana, chega-se até à bexiga para remover o tecido tumoral, que depois é analisado para averiguar a sua classificação superficial ou invasiva.

Posteriormente, de forma a garantir que o tumor é totalmente eliminado e reduzir o risco de complicações (como a hemorragia), procede-se à fulguração/coagulação da base do pólipo, podendo para este fim ser utilizado o laser.

 

Riscos e efeitos secundários

Esta técnica pode apresentar alguns efeitos colaterais, mas tendem a ser temporários e ligeiros.

No espaço de alguns dias, pode haver hematúria ou algumas queixas urinárias como ardor miccional, micção frequente ou até incapacidade de reter a urina.

 

Após o tratamento

Uma vez que este método é utilizado em cancros superficiais, que por si só têm mais hipóteses de cura, o prognóstico é muito encorajador.

Todavia, é um tumor com tendência para recidivar.

Por isso, além de se praticar uma vigilância activa e realizar exames endoscópicos regularmente, para evitar estas recidivas ou que o tumor progrida, podem ser usados tratamentos intra-vesicais complementares em que, através de um catéter, se introduzem fármacos na bexiga numa periodicidade semanal ou mensal, como por exemplo:

  • Mitomicina C - é um produto de quimioterapia;
  • BCG – técnica de imunoterapia que gera uma resposta do sistema imunitário local para combater a doença.

 

Conheça a Cirurgia Laparoscópica

Para tratar os tumores mais profundos e invasivos, ou para controlar os sintomas quando a cura não é possível, é habitual realizar-se uma cirurgia - mais concretamente a cistectomia radical, na mulher, ou cisto-prostatectomia radical, no homem - que pode ser feita por via aberta ou por cirurgia laparoscópica.

Neste procedimento, a bexiga é totalmente removida com a ajuda de instrumentos muito finos com que o cirurgião efectua a cirurgia, de forma muito precisa, por meio de incisões milimétricas no abdómen, daí ser minimamente invasivo.

Todavia, com a remoção da bexiga é preciso encontrar outra solução para que a urina seja armazenada e posteriormente eliminada para o exterior, com utilização de segmentos de intestino para criação de bolsas de armazenamento. Estas “bolsas” podem ser ligadas a aberturas no abdómen (estomas) ou à uretra - neste caso constroem-se bolsas que simulam a bexiga (“neo-bexiga”), mas feita de intestino.

Em casos muito raros, se o cancro é profundo mas localizado e de pequenas dimensões, procede-se à cistectomia parcial, onde apenas é retirada a parte da bexiga onde o tumor estava alojado.

 

Consequências do procedimento

Aquando da remoção total da bexiga, é preciso remover também outros órgãos adjacentes – nos homens, próstata e vesículas seminais, nas mulheres útero, trompas de Falópio, ovários e uma pequena parte da vagina, além dos gânglios linfáticos situados perto destes órgãos.

Isto significa que a cistectomia radical traz algumas consequências permanentes: os homens são incapazes de ejacular e habitualmente sentem dificuldades de erecção, e as mulheres experimentam desconforto no acto sexual e dificuldade para atingir o orgasmo.

Em alguns casos de cistectomia parcial e uma vez que a bexiga perde parte da sua capacidade de enchimento, o doente pode experimentar aumento da frequência miccional.

 

Depois do procedimento

Ainda que estes métodos sejam usados em cancros em estádios mais avançados, a cistectomia radical apresenta uma taxa de sobrevivência, aos 5 anos, entre 40 e 60%.

Contudo, é fundamental que os pacientes sejam vigiados o resto da vida, realizando avaliações de rotina.

 

Confie a sua Saúde a especialistas experientes

Dada a gravidade da patologia, a estratégia de tratamento deve depositar-se nas mãos de uma equipa multidisciplinar, de forma a conseguir os melhores resultados possíveis.

Contudo, a decisão é sempre sua, pelo que deve esclarecer todas as dúvidas acerca dos tratamentos e seus efeitos.

No Instituto da Próstata temos à sua disposição profissionais experientes que podem tratar casos de cancro com estes métodos promissores e eficazes.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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