O que é a Bexiga Hiperactiva? Saiba se sofre deste problema

A bexiga hiperactiva é um dos problemas urológicos mais frequentes, que afeta tanto homens como mulheres e pode estar relacionada com  a incontinência urinária. 

Ainda que não represente risco de vida, não deve ser desvalorizada porque afeta, significamente, a qualidade de vida das pessoas. 

Neste artigo, vamos dar-lhe a conhecer mais sobre esta condição, para que possa identificar eventuais sintomas e consiga ultrapassá-la, contribuindo para a sua resolução.

 

Em que consiste a Bexiga Hiperactiva e como se manifesta?

Numa situação normal, quando a bexiga enche são enviados sinais nervosos para o cérebro, responsáveis por criar a necessidade de urinar.

Para iniciar a micção há duas forças que atuam em conjunto:

  1. Relaxamento do pavimento pélvico e do esfíncter; 
  2. Contracção do músculo da bexiga (detrusor) para expelir a urina.

Perante um quadro de bexiga hiperactiva, os músculos contraem de forma involuntária e espontânea, criando pressões elevadas no interior do órgão e a consequente necessidade de urinar - mesmo quando a bexiga não está cheia.

A ocorrência deste fenómeno provoca alguma sintomatologia recorrente, nomeadamente:

  • Vontade repentina, urgente e inadiável de urinar;
  • Urinar várias vezes de noite (noctúria);
  • Aumento da frequência miccional (urinar mais de 8 vezes por dia, segundo os especialistas).

Algumas pessoas que sofrem de hiperactividade da bexiga conseguem reter a urina tempo suficiente para chegar à casa de banho e esvaziar a bexiga. Quando isso não acontece, resulta em quadros de incontinência urinária (a pessoa acaba por perder urina nos momentos em que sente vontade súbita de urinar).

 

Origem do problema

Nem sempre é possível descobrir a causa que está na génese destes quadros clínicos.

Contudo, existem algumas condições que parecem contribuir para a hiperactividade da bexiga, aumentando o risco, entre as quais:

  • Infecções urinárias recorrentes;
  • Distúrbios neurológicos, nomeadamente esclerose múltipla ou AVC;
  • Alterações na bexiga (“pedras” ou tumores, por exemplo);
  • Alterações hormonais decorrentes da menopausa, no caso das mulheres;
  • Diabetes.

 

Impacto na qualidade de vida

Se sofre deste problema, não é caso único. Todos os pacientes sentem queixas semelhantes e  que limitam sobremaneira o seu bem-estar.

Primeiro, experimentam sentimentos de ansiedade perante a possibilidade de não encontrarem uma casa de banho a tempo, levando a que evitem sair de casa.

Na mesma medida, afecta a vida social e sexual. Os pacientes sentem necessidade de esconder o problema por vergonha e são perturbados durante o sono, quando interrompem o descanso para urinar.

A vida profissional também pode ser impactada negativamente, já que a necessidade frequente de urinar pode levar a várias interrupções das funções laborais.

 

Mitos e Factos sobre a Bexiga Hiperactiva

1. Não é uma consequência inevitável do envelhecimento

Envelhecer não significa perder obrigatoriamente a capacidade de reter a urina, embora seja mais comum em idades avançadas. Até a dormir, idealmente, o funcionamento do aparelho urinário deve assegurar essa capacidade. 

Não encare a situação com resignação. Procure especialistas e inicie o tratamento. 

2. Não é causada por nenhum esforço ou lesão do esfíncter

Existem outros tipos de incontinência, sendo que uma delas ocorre em consequência de um esforço físico, mas não é o caso da bexiga hiperactiva.

Quanto ao esfíncter, mesmo que não sofra alterações na sua capacidade, a pressão que é exercida pelos músculos da bexiga excede a sua força/capacidade, levando a uma vontade urgente de urinar. 

3. Não é irremediável

Se tem uma bexiga hiperactiva saiba que existe tratamento. Na verdade, tanto para os homens como para as mulheres, o prognóstico é muito encorajador.

 

O que fazer para controlar e tratar o problema da bexiga hiperativa?

As opções são variadas.

Primeiro, podem ser recomendadas algumas mudanças comportamentais, tais como:

Recomendacoes Para Controlar Bexiga Hiperativa

  • Evitar a cafeína, álcool e refrigerantes;
  • Manter um peso saudável;
  • Controlar doenças crónicas como a diabetes;
  • Definir horários para urinar para “treinar” a bexiga;
  • Ingerir líquidos na quantidade recomendada - em excesso pode agravar o problema, em falta causa a concentração da urina que provoca irritação do revestimento da bexiga;
  • Evitar alimentos picantes ou ácidos, entre outros.

O tratamento medicamentoso com fármacos que ajudam a corrigir a contracção anormal da bexiga também é uma opção recorrente.

É possível ainda promover a reabilitação pélvica para estimular a capacidade adequada de contracção e relaxamento, recorrendo a exercícios - como os de Kegel - que fortalecem os músculos, e a técnicas de eletroestimulação e biofeedback, que ajudam a aprender a controlar os músculos.

Em alguns casos, o problema pode ser resolvido com a administração de toxina botulínica (vulgarmente conhecida por “Botox”) na bexiga ou, em casos mais graves ou resistentes ao tratamento, com a colocação de um neuro-estimulador (uma espécie de pace-maker da bexiga).

Para cada situação existe uma solução adequada, que pode até passar pela combinação de várias medidas terapêuticas.

 

Dê o primeiro passo para uma vida livre de constrangimentos 

Realizar um diagnóstico adequado é o que vai permitir confirmar a presença de uma bexiga hiperativa, avaliar o problema e, por fim, delinear um plano de tratamento.

Geralmente, consiste na análise da história clínica, exame físico – toque rectal nos homens e exame ginecológico nas mulheres – e a realização de testes complementares.

Se os sintomas perturbam a sua vida, não adie mais a ida ao médico. Esclareça as suas dúvidas com os especialistas do Instituto da Próstata. É o primeiro passo para uma vida mais confortável e livre de perdas de urina.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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