Factores de Risco para Bexiga Hiperactiva

Sofrer de bexiga hiperactiva e experimentar urgência e aumento da frequência miccional afeta a vida social, profissional e tem impacto na autoestima. 

Conhecer o máximo de informações sobre o que está na origem desta condição médica e o que pode ser feito para evitar (ou minimizar) a sintomatologia, é o primeiro passo para realizar algumas mudanças positivas no seu dia a dia.  

Neste artigo, exploramos os principais factores de risco que contribuem para desenvolver uma bexiga hiperactiva. 

 

O que aumenta o risco de Hiperactividade da Bexiga?

As causas que levam ao desenvolvimento de quadros de bexiga hiperactiva não são conhecidas em todos os casos, pelo que evitar a doença contornando o que lhe está de origem não é tarefa fácil.

Contudo, são conhecidos alguns factores de risco que aumentam a probabilidade de ter esta condição ou desenvolver formas mais agressivas.

A probabilidade de desenvolver a doença aumenta quando um doente reúne mais do que um fator de risco. Veja quais são e de que forma podem estar a contribuir para o seu problema.

Fatores Risco Bexiga Hiperativa Infografia

1. Idade

Alguns dados indicam ser mais provável desenvolver bexiga hiperativa em idades avançadas.

No caso dos homens:

  • Percentagem de casos aumenta exponencialmente, de 3,4% aos 40 a 44 anos para 41,9% a partir dos 75 anos. 

A mesma tendência mantém-se no caso das mulheres: 

  • Regista-se um aumento de 8,7% para 31,3% nas mesmas faixas etárias.

Isto acontece devido a alterações fisiológicas que promovem as queixas de “urgência” miccional (Imperiosidade) e as perdas involuntárias de urina, relacionadas com o processo de envelhecimento - mais concretamente, com a diminuição da capacidade vesical, a perda de elasticidade deste órgão, as alterações neurológicas locais e o enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico.

 

2. Origem étnica

Existem evidências que indicam que a raça caucasiana, especialmente as mulheres, apresenta maior possibilidade de desenvolver esta condição, quando comparada com outras etnias. 

Julga-se que a justificação para este facto pode estar relacionada com variações anatómicas e fisiológicas nas mulheres caucasianas que favorecem este problema, como por exemplo, músculos pélvicos mais frágeis ou uretra mais curta.

 

3. Condições crónicas

Uma das doenças mais importantes e frequentemente associadas à bexiga hiperactiva é a  diabetes. 

Quer seja do tipo 1 ou 2, esta doença pode lesar as terminações nervosas, afectando a bexiga e a sua função, como a sensibilidade e consequente capacidade de “perceber” se está cheia.

Com o tempo e à medida que o próprio músculo das paredes deste órgão fica lesado, perde-se a capacidade de esvaziamento completo, agravando-se a sensação de urgência e causando outros problemas, como a existência de um elevado resíduo de urina na bexiga, após a micção.

 

4. Doenças neurológicas

Dado que o sistema nervoso central e periférico é responsável por controlar o armazenamento da urina, qualquer dano neurológico pode afectar esta capacidade. 

Nestes casos, podem ser enviados sinais errados ao cérebro para urinar quando não é suposto, provocando urgência miccional que pode resultar em incontinência.

São exemplos de patologias neurológicas:

  • Lesão da medula espinhal;
  • Parkinson;
  • Esclerose Múltipla;
  • Demência.

 

5. Estados depressivos

De acordo com a University of Virginia School of Medicine, a diminuição dos níveis de alguns neurotransmissores, que provoca quadros depressivos, especialmente a serotonina e a nodadrenalina, também influencia o desenvolvimento de situações de hiperactividade da bexiga.

Isto acontece devido ao desencadear de incapacidade de relaxamento dos músculos da bexiga em padrões normais, expelindo a urina para o exterior.

 

6. Cirurgias pélvicas

Fruto de algumas intervenções cirúrgicas podem surgir danos na região pélvica, debilitando tendões, músculos, ligamentos e outras estruturas fundamentais para conseguir reter a urina.

Nos homens, é comum acontecer após a cirurgia para o tratamento do cancro da próstata, enquanto nas mulheres pode seguir-se a uma histerectomia (intervenção para remoção do útero), bem como a cirurgias intestinais, por exemplo.

 

7. Obesidade

Em casos de obesidade, em que o Índice de Massa Corporal é elevado, o risco de incontinência por hiperactividade da bexiga pode aumentar, uma vez que, entre outras, ocorrem alterações anatómicas e neurológicas, fazendo por exemplo com que a zona abdominal e pélvica seja mais pressionada, provocando fragilidades nos músculos da região.

Além do mais, o aumento da gordura corporal também está associado ao aumento da urgência miccional por outras vias, podendo por exemplo favorecer o desenvolvimento de infecção ou inflamação na bexiga.

 

8. Certos medicamentos

A toma de alguns medicamentos pode também ser um factor de risco, pois podem interferir de diversas formas nos mecanismos de controle da bexiga e produção de urina - por exemplo,  nos sinais enviados ao cérebro quanto à necessidade de urinar, induzindo a micção em alturas não adequadas, ou a estimulando a produção de maior quantidade de urina.

Exemplos de fármacos que podem interferir nestes mecanismos:

  • Antidepressivos e antipsicóticos;
  • Diuréticos;
  • Sedativos;
  • Com acção alfa ou beta adrenérgica.

 

Controlar os factores de risco para ganhar qualidade de vida

Naturalmente, alguns factores de risco não são modificáveis, ou seja, não podem ser contornados, pelo que nem sempre é possível evitar o desenvolvimento de bexiga hiperactiva.

Contudo, existem algumas alterações comportamentais que promovem o normal funcionamento da bexiga, precavendo as alterações que estão na base do surgimento deste tipo de incontinência, ou até aliviar os sintomas, aumentando a qualidade de vida.

Assim, se reúne alguns factores de risco anteriormente descritos, pode seguir algumas das seguintes medidas:

  • Exercícios de fortalecimento dos músculos pélvicos – exercícios de Kegel, por exemplo, para educar a bexiga e a musculatura e reduzir as perdas de urina;
  • Perder o peso em excesso;
  • Evitar o café, refrigerantes, álcool e outros alimentos e produtos que “irritem” a bexiga;
  • Parar de fumar;
  • Seguir uma dieta saudável – evitar picantes, ácidos e alimentos irritativos.

 

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Agora que já conhece os factores de risco, consegue vigiar melhor a sua saúde e actuar em caso de alarme. Sofrer de bexiga hiperactiva provoca inúmeros constrangimentos, com implicação na qualidade de vida e bem estar diários, pelo que alterar alguns hábitos e comportamentos e agir o mais rápido possível pode trazer diversas vantagens e benefícios.

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Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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