Crioterapia para o tratamento da Recidiva do Cancro da Próstata

Receber um diagnóstico de cancro da próstata pela primeira vez não é fácil. Afinal, é uma patologia séria, capaz de abalar emocionalmente qualquer pessoa.

Infelizmente, mesmo após um primeiro tratamento, o pesadelo pode voltar, trazendo mais preocupações, medos e inseguranças.

Nesses casos, é fundamental usufruir de tratamentos eficazes, como a Crioterapia, de forma a tentar eliminar em definitivo esta patologia.

Vamos explicar-lhe tudo sobre esta terapêutica.

 

Quando o Cancro da Próstata reaparece…

Quando um paciente é submetido a qualquer tratamento para eliminar um cancro na próstata, o seu acompanhamento prolonga-se no tempo, pautado por consultas de reavaliação/seguimento e realização de exames, como a análise ao PSA, entre outros.

Por vezes, nessas ocasiões podem ser detectadas alterações suspeitas, na história clínica, no exame objectivo, nas análises ou em exames de imagem – pode ter ocorrido a chamada recidiva do cancro, mais comum se o tumor inicial for de grau elevado.

Em média, estima-se que até cerca de 30 a 40% dos homens que já tiveram cancro prostático vêem o problema recidivar (consoante, obviamente, o tipo de tumor inicial, a sua agressividade, e o facto de estar ou não localizado.

Apesar de, por vezes, não ser possível perceber claramente por que a doença voltou, uma das justificações é que, aquando do primeiro tratamento, nem todas as células doentes foram tratadas ou eliminadas, permitindo que o tumor continue a desenvolver-se.

Pode acontecer, por exemplo, após uma abordagem terapêutica por cirurgia, radioterapia externa ou braquiterapia.

Quando recidiva, o cancro pode aparecer numa ou mais zonas do corpo, nomeadamente:

  • Próstata;
  • Áreas adjacentes à próstata;
  • Local onde costumava estar a glândula prostática (no caso de ter sido removida);
  • Zonas mais distantes do corpo, nomeadamente em gânglios, nos ossos ou noutros órgãos (metástases).

Recidivas Do Cancro Da Prostata

Em qualquer dos casos, a ideia de enfrentar um novo tratamento pode ser esmagadora - é normal sentir-se frustrado, preocupado, deprimido e chocado.

No entanto, saiba que existem opções terapêuticas promissoras, capazes de, provavelmente, tratar o problema de uma forma definitiva e eficaz..

 

O que é a Crioterapia e por que é indicada para Recidivas

Também conhecida como crioablação ou criocirurgia, a Crioterapia tem como objectivo destruir as células responsáveis pela formação da massa tumoral através de uma acção de congelação das mesmas, usando agulhas especiais.

Assim sendo, é usada com o intuito de erradicar por completo o cancro, e não apenas atrasar o seu crescimento, como acontece com medicamentos.

Quando o procedimento terapêutico inicial falha, seja a Radioterapia externa ou a Braquiterapia, por exemplo, e é necessário estabelecer um novo plano de tratamento, pode não ser viável realizar um novo tratamento de Radioterapia pelo risco aumentado de efeitos colaterais graves.

Mais: as células do tumor recidivado podem não ser suficientemente sensíveis à radiação, sobrevivendo.

Além disso, os métodos cirúrgicos mais tradicionais podem não ser indicados para todas as situações, dado o seu carácter mais invasivo.

Nestes casos, a Crioterapia pode ser a solução ideal, já que elimina o tumor de forma precisa, sem libertação de radiação e de forma minimamente invasiva.

 

Maiores vantagens da Crioterapia

Dado o seu carácter minimamente invasivo, geralmente a Crioterapia causa menos complicações quando comparada com outros procedimentos mais tradicionais, como a cirurgia.

Assim sendo, algumas das suas vantagens são:

  • Exige menos tempo de internamento (alta no próprio dia ou no dia seguinte);
  • Causa pouca perda de sangue (pois não são realizadas incisões);
  • Permite uma recuperação rápida.

Tem ainda o benefício de poder variar no seu modo de actuação: atingir toda a próstata ou agir apenas em certas zonas, onde está localizado o tumor, no que é designado por terapêutica focal.

Além disso, se o tratamento usado pela primeira vez foi a Crioterapia, pode voltar a repeti-lo para as recidivas, ao contrário do que acontece com outras técnicas.

Vantagens Da Crioterapia

 

Quem pode beneficiar com a Crioterapia?

Apesar de útil, o uso da Crioterapia para tratar as recidivas do cancro da próstata pode não ser ideal para todos os casos.

Além de ser especialmente indicada para reaparecimento do tumor após Radioterapia ou Braquiterapia, só é utilizada em tumores localizados, isto é, que estejam limitados à glândula prostática, com baixo/médio risco de disseminação.

Também o tamanho da próstata é uma indicação para a realização, ou não, deste procedimento – geralmente não é tão utilizada em glândulas de volumes elevados.

No entanto, hoje em dia é possível realizar tratamentos, antes da crioterapia, para reduzir as dimensões do órgão, viabilizando assim a técnica também para estas situações..

Por outro lado, a Crioterapia não é recomendada para alguns casos, nomeadamente:

  • Próstatas cuja monitorização por sonda não é viável;
  • Realização de cirurgias anteriores para cancro anal ou rectal;
  • Tumores de grandes dimensões cujo tratamento seja impossível de realizar sem risco elevado de lesar órgãos ou tecidos próximos.

De qualquer forma, só um médico especialista poderá recomendar ou desaconselhar a sua realização, tendo em consideração informações relevantes como:

  • Estado de saúde geral do paciente;
  • Resultados de exames de diagnóstico;
  • Estadiamento do tumor;
  • Histórico clínico de procedimentos realizados.

 

Antes da Crioterapia

Caso a Crioterapia seja a opção escolhida para tratar a recidiva do cancro da próstata, o médico irá fornecer algumas informações para explicar o procedimento e para dar a conhecer a preparação necessária para a sua realização.

Primeiro, pode ser necessário interromper alguma medicação habitual que possa interferir com o processo ou com os seus resultados.

Além do mais, o médico pode ainda recomendar a utilização de um produto próprio para limpar o intestino.

Em alguns casos, poderá ser ainda necessário realizar, antes da crioterapia, outras terapêuticas para que a preparação para este tratamento seja a mais adequada possível..

Por fim, no dia do tratamento geralmente irá precisar de estar em jejum durante algumas horas, indicadas pelo profissional.

 

Em que consiste o Procedimento?

O tratamento de Crioterapia exige anestesia, geral ou raquianestesia, de forma a garantir o máximo conforto do paciente.

Daí em diante, e depois de esvaziar a bexiga, o procedimento desenrola-se da seguinte forma:

  • Com o paciente deitado, colocado de barriga para cima e com as pernas flectidas e afastadas, é inserido um catéter especial pela uretra para drenar a urina e aquecer a uretra;
  • É introduzida uma sonda no recto para visualização e controle de todo o processo, através de um software próprio;
  • As agulhas são inseridas nas zonas pré-seleccionadas, na região entre o ânus e o escroto (períneo), e são guiadas até ao local do tumor na próstata;
  • É libertado um gás, normalmente o árgon, que circula pelas agulhas e forma uma espécie de bolas de gelo, a temperaturas de cerca de -40°C, que congelam as células doentes;
  • O tecido permanece congelado durante alguns minutos até descongelar e ser absorvido de forma natural pelo corpo;
  • Este ciclo de congelação/descongelação é repetido, geralmente, por duas vezes;
  • Depois da remoção do equipamento (tirando o catéter especial, que é substituído por uma algália no final do procedimento), é colocado um penso na zona perineal.

Crioterapia Procedimento

Além do controlo visual, que faz com que todo o processo seja seguro e preciso, são ainda utilizados sensores que controlam a temperatura da próstata e de algumas zonas adjacentes, evitando assim afectar o tecido saudável e os órgãos que circundam a próstata.

De forma a proteger a uretra e as estruturas próximas das baixas temperaturas, durante o tratamento, no  catéter que drena a urina circula ainda uma substância aquecida para evitar o seu congelamento.

 

Depois do Tratamento

Mesmo sendo um método minimamente invasivo, o recurso à Crioterapia não é isento de efeitos secundários, à semelhança do que acontece com qualquer método.

Aliás, geralmente as consequências de um segundo tratamento são sempre mais acentuadas, uma vez que a próstata e as estruturas próximas já podem ter sido lesadas no procedimento anterior.

Alguns dos efeitos secundários são:

  • Hematúria (sangue na urina);
  • Dor no local intervencionado;
  • Inchaço do pénis, escroto ou períneo;
  • Dificuldade miccional;
  • Disfunção eréctil (se os nervos responsáveis pela erecção forem danificados);
  • Incontinência urinária (rara);
  • Dor ou ardor na bexiga ou no intestino (graças à acção do frio)
  • Estenoses da uretra (apertos no canal que dificultam a passagem de urina);
  • Infecção do trato urinário;
  • Maior frequência miccional ou fecal;
  • Formação de fístula recto-uretral (muito rara).

Não se esqueça, ainda assim, que cada caso é um caso e cada paciente pode reagir de forma diferente ao tratamento. Contudo, na maior parte dos casos, os sintomas descritos são passageiros.

Relativamente à algália para drenar a urina, só é retirado mais tarde, habitualmente no dia seguinte ou dois dias depois do tratamento (geralmente entre 1 e 5 dias depois do tratamento)..

O médico dará também recomendações quanto a possíveis restrições e cuidados de acordo com a situação clínica do paciente.

Quanto à eficácia do tratamento, calculada com a ajuda de exames no acompanhamento de rotina pós-intervenção, saiba que, na maioria dos casos, é necessária apenas uma sessão de Crioterapia de curta duração (entre uma e duas horas) para resolver o problema.

Estes bons resultados são apoiados por alguns estudos, que encaram a Crioterapia como sendo uma técnica eficaz e segura para tratar recidivas, especialmente após um primeiro tratamento de Radioterapia.

 

Quer saber se a Crioterapia é indicada para si? Peça ajuda especializada

Recorrer à Crioterapia no tratamento do cancro da próstata pode ser uma opção acertada, tendo em conta as suas vantagens e particularidades.

No entanto, é fundamental ter a certeza que se adequa ao seu estado clínico.

Neste sentido, recorrer a ajuda especializada é essencial, não só para tornar o caminho mais fácil, mas também para analisar o seu caso em particular.

O profissional conseguirá também prever efeitos e resultados prováveis, informações importantes para tomar a decisão.

Encontra no Instituto da Próstata o acompanhamento capaz de tornar todo o processo menos incómodo e a técnica mais eficaz e promissora, graças à equipa experiente, especializada e atenta.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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