O Toque Rectal

Trata-se de um exame fundamental para a avaliação da próstata. É um exame que, embora temido pela grande maioria dos homens (e um dos motivos que podem atrasar o diagnóstico do cancro da próstata, porque faz com que alguns homens evitem ir a uma consulta médica com receio de serem sujeitos a esta “agressão”), é muito bem tolerado pela esmagadora maioria dos doentes – desde que, obviamente, seja efectuado com os devidos cuidados e de acordo com a técnica correcta.
Muitos homens que tentam evitar este exame e que o protelam, muitas vezes já realizaram uma ecografia trans-rectal da próstata, exame que é tão – ou geralmente mais – desconfortável que o toque rectal.

Este exame permite avaliar características da próstata que nenhum outro exame fornece. Com efeito, nem o PSA nem a ecografia fornecem a mesma informação ou permitem dispensar este exame. As informações que cada um destes exames permite obter são muitas vezes complementares, ou seja, para uma correcta avaliação (“global”) da próstata pode ser necessário efectuar estas três avaliações – e por vezes ainda outras, como a urofluxometria, a medição do resíduo, a ecografia do aparelho urinário superior ou outras análises ao sangue e urina.

O toque rectal permite definir características como as dimensões e volume aproximado da próstata, a sua consistência, o tipo e a regularidade da sua superfície, os seus limites, a existência de zonas suspeitas (zonas mais “duras”, nódulos, etc.) ou de zonas dolorosas. Cada um destes elementos pode determinar ou alterar a orientação da terapêutica ou das etapas de diagnóstico de um determinado indivíduo.

Apesar de apenas a face posterior da próstata ser avaliável ao toque rectal (está em contacto com a parede anterior do recto, por isso é tão acessível a esta avaliação), podemos detectar, por exemplo, um nódulo suspeito, mesmo em presença de um PSA “normal” e de uma ecografia sem qualquer alteração. Neste caso, o doente terá de efectuar, impreterivelmente, uma biópsia trans-rectal ecoguiada da próstata, sob anestesia peri-prostática, apesar dos achados normais nos restantes exames.

Outras alterações como por exemplo a existência de zonas duras, irregulares ou heterogéneas, uma próstata assimétrica, de limites mal definidos, de sulco mediano não palpável (o sulco é uma depressão normal, “fisiológica”, que se situa “a meio” da próstata), uma próstata dolorosa ao toque, são algumas das inúmeras anomalias que apenas por este meio se podem diagnosticar e que fornecem elementos fundamentais para a orientação de um determinado doente.