Sintomas de HBP (aumento benigno da Próstata)

SINTOMAS DE ESVAZIAMENTO

Diminuição da força e calibre do jacto
Atraso no início da micção
Micção prolongada
Jacto interrompido ou em dois tempos
Necessidade de contracção abdominal para urinar (“esforço” miccional)
Retenção urinária
Incontinência (por “regurgitação”)

SINTOMAS DE ENCHIMENTO

Imperiosidade miccional (necessidade súbita de urinar)
Aumento da frequência das micções (polaquiúria)
Aumento do número de micções durante a noite (noctúria)
Incontinência associada à imperiosidade
Dor supra-púbica/hipogástrica

SINTOMAS PÓS-MICCIONAIS

Sensação de esvaziamento vesical incompleto
Gotejo terminal

SINTOMAS DE HBP (AUMENTO BENIGNO DA PRÓSTATA)

O aumento de volume da próstata (conhecido por HBP, de Hiperplasia Benigna da Próstata) caracteriza-se por um conjunto de sintomas que geralmente se instalam de uma forma mais ou menos progressiva, com uma intensidade crescente. No entanto, em muitos casos, essas queixas podem variar, ser “flutuantes” ao longo do tempo, e melhorar espontaneamente em determinados períodos da vida. Estas alterações na intensidade dos sintomas estão muitas vezes relacionadas com a dieta, ou seja, com o tipo e quantidade de alimentos que se ingerem, com os líquidos que se bebem (tipo e quantidade de líquidos), com medicamentos que se tomam e ainda com outros factores, como o estilo de vida, a presença de stress pessoal, profissional, familiar ou de outro tipo.

Sintomas de Esvaziamento

ATRASO INICIAL (OU HESITAÇÃO)

Atraso no início da micção. Este atraso deve-se ao tempo que o músculo da parede da bexiga demora a vencer a resistência que a próstata oferece à saída da urina da bexiga, ao tempo que o “colo” da bexiga e os esfíncteres demoram “a abrir” ou a uma diminuição da capacidade de contracção do músculo da parede da bexiga.

JACTO URINÁRIO MAIS FRACO E/OU MAIS FINO

Surge em consequência do menor calibre da uretra que atravessa a próstata e da resistência que é oferecida à passagem da urina. Pode estabelecer-se de uma forma tão lenta e gradual que não é valorizado pelo doente. Este sintoma é tão frequente que é encarado pela maior parte dos homens com grande normalidade, como fazendo parte do envelhecimento normal (é frequente ouvir-se dizer “claro que já não é como aos 20 anos, mas ainda tem alguma pressão”…).

MICÇÃO PROLONGADA

Se a urina sai da bexiga a um “ritmo” menor, a uma menor quantidade por unidade de tempo, inevitavelmente a miccção vai demorar mais tempo até se completar.

ESFORÇO ABDOMINAL PARA URINAR E JACTO (OU MICÇÃO) INTERROMPIDO, INTERMITENTE, OU EM DOIS TEMPOS

Causas semelhantes aos sintomas anteriores e que têm a ver com o jogo de pressões necessárias para a micção, em função da pressão que se desenvolve no interior da bexiga e da resistência que é oferecida à saída da urina da bexiga e à sua passagem através da uretra prostática (parte da uretra que atravessa a próstata).

INCONTINÊNCIA POR “REGURGITAÇÃO”

Se a bexiga não esvazia totalmente e a urina vai ficando retida, e se essa alteração é progressiva, ou seja, se vai agravando com o passar do tempo, pode ocorrer um sintoma, designado por Incontinência por regurgitação. Nesta situação, paradoxalmente (porque o doente tem uma dificuldade em esvaziar a bexiga) ocorre incontinência por existir uma retenção de urina na bexiga – daí ser também por vezes designada de “Paradoxal”.
É uma manifestação tardia da doença. Surge porque bexiga não consegue esvaziar mas vai perdendo urina quando a sua capacidade máxima é atingida. A bexiga como que “transborda”, ou seja, está tão cheia, que basta ocorrer um pequeno aumento da presão no interior da bexiga (quando a urina que vem dos ureteres é “empurrada” para o interior da bexiga ou se a pessoa tossir, por exemplo), que ocorre perda involuntária de urina. É frequente também este tipo de incontinência surgir durante a noite. Ver “Incontinência Urinária Masculina”.

RETENÇÃO URINÁRIA AGUDA

Em casos mais graves, pode ocorrer uma incapacidade total para iniciar a micção e o doente não consegue urinar. Esta alteração, designada por retenção urinária aguda, implica que a pessoa seja algaliada, ou seja, que seja colocada através da uretra uma algália (um catéter especial, um tubo), para permitir que a urina que está no interior da bexiga seja eliminada para o exterior. A Retenção Urinária é uma situação de urgência, é muito desconfortável e dolorosa para o doente afectado, que deve recorrer rapidamente a um médico ou serviço de urgência. O doente apresenta a bexiga palpável ou detectável à percussão da região supra-púbica (“globo vesical”). O doente tem de ser rapidamente algaliado (ou em alternativa ser colocado um catéter no interior da bexiga, para drenar a urina deste orgão, através da pele e parede abdominal da região supra-púbica.

A actuação deve ser urgente e consiste na cateterização vesical por via uretral ou suprapúbica.
O primeiro episódio de retenção urinária não significa necessariamente que o doente tem de ser operado à próstata, apesar de ser uma evidência de que algo não está bem e de que a evolução pode não ser muito positiva.

O doente deve permanecer algaliado durante alguns dias, e ser iniciada uma terapêutica de preparação para a retirada de algália e tentativa de micção espontânea. Alguns medicamentos, como os alfa-bloqueantes (ver Alfa-bloqueantes) aumentam a probabilidade de se conseguir urinar espontaneamente após a retirada da algália.
Se a retenção urinária aguda se repetir, é necessário realizar uma cirurgia prostática. É uma das indicações absolutas para cirurgia.

SINTOMAS DE ENCHIMENTO

FREQUÊNCIA OU POLAQUIÚRIA

Sintoma que corresponde a um aumento anormal do número de micções/dia. Este número é variável, mas quando ocorre uma diminuição marcada do intervalo entre as micções, essa alteração é patológica. Por vezes, é necessário urinar de hora hora a hora, ou com intervalos de hora e meia ou duas horas, o que não é normal. Pode surgir em consequência de um esvaziamento incompleto, com volumes residuais de urina elevados, por uma diminuição da capacidade da bexiga esvaziar completamente, por uma bexiga de reduzida capacidade ou pela existência de contracções anormais do músculo da parede da bexiga.

Sensação de Peso ou dor hipogástrica (suprapúbica)
Esta sensação é muito frequente em doentes com problemas da próstata, com bexiga continuamente em semi-enchimento, com um não esvaziamento completo deste orgão, com compressão contínua das estruturas e orgãos adjacentes, da cavidade pélvica. Ocorre um mal estar, por vezes pouco definido, um peso ou mesmo dor mais marcada na região hipogástrica ou supra-púbica, ou seja, acima do púbis, abaixo do umbigo.

NOCTÚRIA (OU POLAQUIÚRIA NOCTURNA)

É um sintoma muito frequente nos doentes com prolemas da próstata. Corresponde a uma necessidade de urinar frequentemente durante a noite. A próstata não é, contudo, a única causa para este sintoma e outros problemas têm de ser ponderados, avaliados e excluídos. Esta queixa pode surgir em consequência de problemas cardíacos ou renais, do tratamento com medicamentos diuréticos, de doenças neurológicas, de diabetes, entre outras causas.
É um dos sintomas que mais afecta o bem estar e a qualidade de vida dos doentes, nomeadamente pelas implicações óbvias no número de horas e na qualidade do sono.

IMPERIOSIDADE OU “URGÊNCIA” URINÁRIA

Este sintoma corresponde a uma vontade súbita de urinar, difícil de controlar e de adiar. O doente afectado (é um sintoma frequente nos homens, mas também em mulheres) tem muitas vezes dificuldade em chegar a um local onde possa urinar, com uma sensação de perda iminente de urina e franco desconforto e causa de perda de qualidade de vida. Ocorre pela existência de uma forte contracção do músculo da parede vesical, designado por detrusor. Este tipo de contracções designam-se por contracções não inibidas do detrusor e este problema designa-se Hiperactividade vesical ou do detrusor (sinónimo de “Bexiga Hiperactiva” – ver “Bexiga Hiperactiva ou Hiperactividade Vesical”). Neste caso ocorre por problemas da próstata e está associada à obstrução, mas pode surgir isoladamente. Por vezes associa-se a incontinência, designada de incontinência por imperiosidade (ver abaixo)

INCONTINÊNCIA URINÁRIA ASSOCIADA A IMPERIOSIDADE (OU DE URGÊNCIA)

Este tipo de incontinência surge na sequência de uma sensação de imperiosidade miccional, ou seja, de vontade urgente para urinar, com uma sensação de incapacidade de adiar a micção (ver acima “Imperiosidade ou “Urgência” urinária). Ocorre, tal como este último sintoma, por uma Hiperactividade vesical (ver “Bexiga Hiperactiva ou Hiperactividade Vesical”), ou seja, por uma contracção anormal do músculo da parede vesical (detrusor), associada à obstrução causada pela próstata.

SINTOMAS PÓS-MICCIONAIS

SENSAÇÃO DE ESVAZIAMENTO INCOMPLETO

Na presença de aumento da próstata é frequente não se conseguir esvaziar completamente a bexiga e ficar alguma urina retida no interior da mesma, após a micção (designada por resíduo pós-miccional).
Este resíduo pode ser facilmente medido por ecografia da bexiga, efectuada a seguir à micção. É um exame muito pedido pelos urologistas, para complementar a informação fornecida pela fluxometria (medida do “fluxo” urinário – ver “Urofluxometria”)

GOTEJO TERMINAL E PÓS-TERMINAL (OU PÓS-MICCIONAL)

O gotejo que surge no final ou após a micção resulta geralmente de uma alteração de um músculo (chamado bulbo-esponjoso), que tem por função ajudar a completar o esvaziamento da uretra.

OUTROS SINTOMAS

PRESENÇA DE SANGUE NA URINA (HEMATÚRIA)

É geralmente uma manifestação fases mais avançadas da doença. Pode ser visível (macroscópica) ou apenas microscópica, detectável apenas em análises realizadas à urina. Pode associar-se à presença de coágulos na urina. Habitualmente é indolor. Pode no entanto associar-se a infecções urinárias (também uma das complicações ou consequências de doenças da próstata). Neste caso, ocorre ardor a urinar, aumento da frequência das micções, desconforto na zona abaixo do umbigo (hipogástrica ou supra-púbica).

PEDRAS (“CÁLCULOS”) NA BEXIGA, COM OU SEM SANGUE NA URINA

O aparecimento de sangue na urina pode ser também consequência da existência de pedras (“cálculos”, “litíase”) na bexiga. É possível, no entanto, existirem pedras na bexiga e não se observar sangue na urina. Estas podem não se manifestar ou provocar sintomas semelhantes ao “simples” aumento da próstata – por exemplo, ardor ao urinar, aumento da frequência das micções, urina turva, de cheiro mais intenso.
As pedras/cálculos na bexiga surgem em consequência de problemas de esvaziamento da bexiga e são uma indicação absoluta para cirurgia da próstata (ver “Complicações do aumento de volume da próstata” e “Indicações para cirurgia por HBP”). Isto quer dizer que se um doente tiver pedras (“cálculos”) nos rins e estes se deslocarem e chegarem à bexiga são quase sempre eliminados para o exterior (porque o calibre da uretra, o canal por onde a urina sai da bexiga para o exterior, é muito superior ao do ureter, o canal por onde a urina passa desde os rins até à bexiga).
Para se ter cálculos na bexiga, os cálculos formam-se na própria bexiga ou são provenientes dos rins mas não conseguem ser eliminados para o exterior. É necessário que exista um problema de esvaziamento da bexiga, ou seja, uma dificuldade, uma obstrução à normal drenagem de urina para o exterior. Isto só acontece se existir um obstáculo – ou um aumento da próstata, ou um aperto (“estenose”) da uretra, por exemplo. Este obstáculo faz com que exista urina retida cronicamente na bexiga após a micção, ou seja, nunca ocorre um esvaziamento completo da bexiga, a urina fica “estagnada” e os cálculos vão-se formando e crescendo (podendo atingir grandes dimensões; não é raro observarem-se cálculos de 3, 4, 5 ou mais centímetros de comprimento).

QUEIXAS DE INFECÇÃO URINÁRIA OU PROSTATITE

Nestas situações há um aumento da frequência da micções, geralmente um forte ardor a urinar, sensação de não esvaziar a bexiga e de a bexiga “estar sempre cheia” (o doente sente uma vontade muito intensa de urinar e depois parece que apenas “sai” uma pequena quantidadede urina para a vontade que tinha).
Por vezes, surgem dores mais intensas abaixo do umbigo (região supra-púbica, ou hipogástrica) ou na zona entre os testículos e o ânus (zona perineal) e febre. Estes dois últimos sintomas sugerem que podemos estar em presença de uma prostatite. A existência de febre indica que a infecção não é uma infecção urinária “banal”, mas que existe uma complicação da mesma. Pode tratar-se de uma prostatite ou mesmo, eventualmente, de uma infecção do aparelho urinário superior, ou seja dos rins (designada por pielonefrite). São situações muito mais graves, que podem mesmo necessitar de internamento para realização de terapêutica com antibióticos administrados por via endo-venosa (através de “soros”, administrados directamente “nas veias”.
Por vezes, pode surgir apenas um quadro febril, sem manifestações urinárias muito exuberantes. Nestes casos, o diagnóstico pode ser difícil, pelo que é necessário realizar uma investigação cuidada para se conseguir obter o diagnóstico.