O que é o PSA?

PSA quer dizer “Antigénio Específico da Próstata” (utiliza-se internacionalmente a sigla PSA, do inglês “Prostate Specific Antigen”).
Trata-se de uma glicoproteína com função de enzima, uma protease, produzida quase exclusivamente pelas células epiteliais da próstata, cuja função consiste em liquefazer o esperma, ou seja, tornar o esperma líquido após a formação do “coágulo” no esperma ejaculado.
Existe portanto no esperma, mas também na células da próstata (quer benignas quer malignas) e no sangue periférico.
É assim possível medir os níveis de PSA no sangue, através de uma simples análise sanguínea. O valor obtido permite ajudar a diferenciar se estamos em presença de uma situação de aumento benigno da próstata ou de cancro deste orgão. Se houver uma suspeita da presença de cancro, deve ser realizada uma biópsia da próstata.
O PSA é um marcador tumoral, do cancro da próstata, mas não é exclusivo desta doença. Aliás, nem sequer é exclusivo da próstata, embora nos outros orgãos onde se encontra (algumas glândulas) esteja presente em quantidades muito reduzidas.
Sendo um dos melhores marcadores tumorais existentes, não é contudo específico, pelo que o seu aumento não corresponde necessariamente à presença de um cancro da próstata.
Um valor de PSA aumentado implica o despiste de cancro da próstata, uma vez que, se elevado, torna o doente suspeito de ser portador de um cancro. No entanto, além do cancro, outras situações podem ser responsáveis pela elevação desta análise. Por exemplo, uma prostatite (aguda ou crónica), uma infecção urinária ou genital, a ocorrência de um episódio de retenção urinária (“urina presa”) – ver Retenção Urinária Aguda – , o aumento benigno da próstata (HBP), a realização de uma endoscopia, biópsia ou cirurgia da próstata, por exemplo, podem ser responsáveis por um aumento do PSA.
Classicamente, um valor de PSA acima de 4,0 (a unidade de doseamento é ng/ml, ou seja, nanograma por mililitro) era considerado suspeito. Um valor inferior a 4 não mereceria biópsia, um valor superior a 10 era francamente suspeito e considerava-se que um valor entre 4 e 10 se situava na chamada “zona cinzenta”.
Actualmente não é assim, e o valor encontrado deve ser enquadrado numa série de outros parâmetros, que cabe ao Urologista avaliar, em cada caso, porque “cada caso é um caso”. O mesmo valor de PSA em pessoas diferentes pode condicionar uma atitude diferente, em função de outras variáveis – por exemplo, a presença de um nódulo palpável no toque rectal, que é um exame fundamental. Ou seja, um doente que tenha um PSA de 3ng/ml (ou mesmo 2) pode ter uma maior suspeita de sofrer de um cancro da próstata e ter de ser submetido a biópsia prostática do que um doente com PSA de 5 ou 6 mas que apresente, por exemplo, uma próstata de um volume superior mas sem nódulos no toque rectal e uma idade avançada.
Em doentes novos, alguns autores consideram como normal o valor limite de 2,5g/ml.
O cancro da próstata, provoca geralmente uma subida mais importante do PSA, mais rápida, progressiva e contínua. Apesar de não ser uma análise 100% certa, trata-se do melhor marcador tumoral actualmente disponível.
Como a determinação do PSA não é 100% fidedigna, surgiram outros métodos para melhorar a sensibilidade e especificidade desta análise (ou seja, para diminuir as taxas de falsos negativos e falsos positivos). Assim, podemos determinar parâmetros como a densidade do PSA, a velocidade do PSA, o PSA da zona de transição ou a relação entre o PSA livre e o PSA total ou o PSA em função da idade (ver capítulos respsectivos).
Os Urologistas do Instituto da Próstata e Incontinência Urinária são profissionais habituados a realizar a mais correcta e completa avaliação da próstata. Só desta forma é possível valorizar adequadamente as diferentes informações e dados disponíveis, de modo a permitir uma avaliação segura e fiável, para excluir ou diagnosticar precocemente a presença de doenças graves deste orgão.

O PSA LIVRE.
RELAÇÃO ENTRE O PSA LIVRE E O PSA TOTAL

Este método merece uma palavra especial, pela sua relevância. Sabe-se que o PSA circula no sangue em parte ligado a proteínas, em parte livre no sangue. Ao primeiro componente chamamos PSA complexado (PSAc), ao segundo PSA livre (PSAl). A soma dos dois corresponde ao PSA total (PSAt), que é o valor determinado na análise de rotina, “banal”, do PSA.
A relação entre o PSA l e o PSA t (PSAl/PSAt, ou PSA Livre/Total) – ou entre o PSAc e o PSAt, que também pode ser utilizada – fornece mais informação em relação ao maior ou menor risco de estarmos em presença de um cancro.
Quanto mais baixa essa relação, maior o risco de cancro. Uma razão (divisão) inferior a 15% (0,15) é francamente mais suspeita da presença de um cancro do que uma relação superior a 20 ou 25% (0,20 ou 0,25). Não há um valor consensual que permita a separação entre doentes com “mais suspeita” de dofrer de um cancro. Alguns autores apontam o valor de 0,15, outros o valor de 0,20. A utilização de um ou outro valor (denominado valor de “cutt off”, ou seja, o valor limiar, ou limite para esta diferenciação) tem a ver com o risco que escolhemos para “deixar escapar” um tumor vs o risco de se fazer uma biópsia desnecessária. Só um médico Urologista poderá decidir da necessidade ou não de se realizar uma biópsia num determinado caso, pois esta decisão implica a integração de um conjunto de parâmetros que, todos eles, devem ser avaliados, valorizados e ponderados. Para valores de PSA entre os 2,5ng/ml e os 10ng/ml, quando esta análise tem mais interesse, utiliza-se habitualmente o valor de cut-off de 15% (20% para alguns autores). Abaixo deste valor, deve realizar-se biópsia.
Uma vez que o PSA não é um marcador tumoral “perfeito” (apesar de ser o melhor marcador tumoral existente) outros marcadores e análises têm sido estudados e desenvolvidos para tentar suprir as lacunas e as dúvidas que o doseamento do PSA ainda apresenta. Diversas moléculas e substâncias têm sido estudadas, bem como “marcadores” genéticos associados a esta doença. Um grupo de moléculas muito investigado são as calicreínas, tendo já sido comercializado um teste/análise à urina, conhecido como PCA3, que apresenta resultados promissores para a avaliação do cancro da próstata.

O PSA AJUSTADO À IDADE (PSA EM FUNÇÃO DA IDADE)

Nesta avaliação, adapta-se o valor do PSA à idade do doente (uma vez que se sabe que o PSA aumenta com a idade, tal como o volume, o tamanho da próstata). Um valor de PSA de 2,5ng/ml, por exemplo, pode ser aceitável aos 70 anos, mas não o será aos 40.

DENSIDADE DE PSA

Para determinar a densidade do PSA, correlaciona-se o valor, o resultado da análise com o volume da próstata. Quanto maior a densidade, maior a suspeita da presença de um cancro da próstata.

VELOCIDADE DE PSA

Na determinação da Velocidade do PSA, avaliam-se e comparam-se doseamentos repetidos desta análise, determinando a “velocidade”, o ritmo do aumento do valor do PSA. Até determinados aumentos, essa subida será aceitável. Acima de determinados limites (o valor geralmente referido é o de 0,75ng/ml/ano), a suspeita é maior. Estes valores, no entanto, foram postos em causa em alguns trabalhos recentes, em que alguns autores afirmaram que mesmo com aumentos mais reduzidos poderíamos estar na presença de um tumor maligno.

PSA DA ZONA DE TRANSIÇÃO

Semelhante à densidade do PSA, mas entrando apenas em consideração com o volume de uma determinada zona da próstata. Assim, o valor do PSA é correlacionado com o volume da zona de transição.