O PSA livre. Relação entre o PSA livre e o PSA total

Este método merece uma palavra especial, pela sua relevância. Sabe-se que o PSA circula no sangue em parte ligado a proteínas, em parte livre no sangue. Ao primeiro componente chamamos PSA complexado (PSAc), ao segundo PSA livre (PSAl). A soma dos dois corresponde ao PSA total (PSAt), que é o valor determinado na análise de rotina, “banal”, do PSA.

A relação entre o PSA l e o PSA t (PSAl/PSAt, ou PSA Livre/Total) – ou entre o PSAc e o PSAt, que também pode ser utilizada – fornece mais informação em relação ao maior ou menor risco de estarmos em presença de um cancro.

Quanto mais baixa essa relação, maior o risco de cancro. Uma razão (divisão) inferior a 15% (0,15) é francamente mais suspeita da presença de um cancro do que uma relação superior a 20 ou 25% (0,20 ou 0,25). Não há um valor consensual que permita a separação entre doentes com “mais suspeita” de dofrer de um cancro. Alguns autores apontam o valor de 0,15, outros, o valor de 0,20. A utilização de um ou outro valor (denominado valor de “cutt off”, ou seja, o valor limiar, ou limite para esta diferenciação) tem a ver com o risco que escolhemos para “deixar escapar” um tumor vs o risco de se fazer uma biópsia desnecessária. Só um médico Urologista poderá decidir da necessidade ou não de se realizar uma biópsia num determinado caso, pois esta decisão implica a integração de um conjunto de parâmetros que, todos eles, devem ser avaliados, valorizados e ponderados. Para valores de PSA entre os 2,5ng/ml e os 10ng/ml, quando esta análise tem mais interesse, utiliza-se habitualmente o valor de cut-off de 15% (20% para alguns autores). Abaixo deste valor, deve realizar-se biópsia.

Uma vez que o PSA não é um marcador tumoral “perfeito” (apesar de ser o melhor marcador tumoral existente) outros marcadores e análises têm sido estudados e desenvolvidos para tentar suprir as lacunas e as dúvidas que o doseamento do PSA ainda apresenta. Diversas moléculas e substâncias têm sido estudadas, bem como “marcadores” genéticos associados a esta doença. Um grupo de moléculas muito investigado são as calicreínas, tendo já sido comercializado um teste/análise à urina, conhecido como PCA3, que apresenta resultados promissores para a avaliação do cancro da próstata.