Hiperplasia Benigna da Próstata (Aumento benigno da Próstata)

O QUE É A HBP (AUMENTO BENIGNO DA PRÓSTATA)

A sigla HBP significa Hiperplasia Benigna da Próstata. É utilizado geralmente como sinónimo de um aumento benigno da próstata. Em termos mais rigorosos, significa que existe um aumento do número de células da próstata (daí a designação “Hiperplasia” e não, como anteriormente, “Hipertrofia”, que quer dizer apenas aumento de tamanho, de volume).

Com efeito, e correctamente, HBP significa que ocorreu um aumento do número de células da próstata. Na prática, muitas vezes nos referimos a “HBP” como traduzindo um aumento do tamanho da próstata que, por sua vez, causa um conjunto de sintomas relacionados com esta hiperplasia. Estes sintomas, no entanto, não são específicos desta entidade.

Pode existir um aumento de volume da próstata sem obstrução significativa à passagem de urina pela uretra e ao esvaziamento da bexiga (confirmada por exames próprios, como o estudo urodinâmico do aparelho urinário inferior); pode ocorrer um aumento de volume da próstata (às vezes muito significativo) sem existirem queixas, sintomas importantes; finalmente, podem existir podem sintomas, por vezes graves, sem ser possível documentar quer um aumento de volume quer uma obstrução à drenagem da urina.

O conceito mais correcto de “HBP” resulta assim, e em rigor, de uma combinação destas variáveis: aumento de volume, hiperplasia histológica, obstrução e sintomas. Podem estar todas presentes ou apenas algumas delas.

Uma consequência importante destas afirmações: o facto de se ter uma próstata muito grande não quer necessariamente dizer que se tem de ser operado à próstata, ao contrário do que muitas vezes se pensa.

Outro aspecto importante relaciona-se com o cancro da próstata. O aumento de volume que ocorre na HBP é causado por um problema benigno. A HBP desenvolve-se principalmente numa zona designada por zona de transição, situada em torno da uretra. Os tumores malignos da próstata, pelo contrário, surgem mais frequentemente numa zona designada por  zona periférica (cerca de 70% dos tumores surgem nesta zona).

FREQUÊNCIA DA HBP

Esta é uma das doenças mais frequentes nos homens. É muito mais frequente  do que o cancro da próstata. É muito rara abaixo dos 30 anos (praticamente ausente) e a sua frequência vai aumentando progressivamente com a idade. Aos 90 anos, 88% dos homens terão alterações histológicas de HBP (ou seja, aumento do número de células). Mais de metade destes homens virão a desenvolver sintomas desta doença. Aos 60, cerca de 20% dos homens apresentam um aumento palpável do volume da próstata e aos 80 anos este valor sobe para os 43% dos homens. Mais importante ainda, mais de um terço dos homens com 50 anos apresentam algum tipo de sintomas relacionados com a HBP

CAUSAS DA HBP

Não se conhecem totalmente as causas exatas da HBP. Há, no entanto, vários factores que se pensa que contribuem para o desenvolvimento da doença. Os únicos factores que até ao momento foi possível demonstrar que são causa de HBP são a idade e a presença de testosterona, a mais importante hormona masculina. O envelhecimento acompanha-se do aumento da frequência de HBP e a testosterona é necessária para estimular o desenvolvimento e crescimento das células da próstata que são responsáveis pela HBP. Por outro lado, o envelhecimento altera algumas das características do músculo da parede da bexiga, que perde progressivamente a capacidade de contrair normalmente, contribuindo para o agravamento dos sintomas com a idade.

Alguns elementos da dieta podem afectar o crescimento da próstata. Sabe-se que os vegetais têm um papel protetor e algumas alterações corporais relacionadas com a obesidade facilitam o desenvolvimento de HBP.

Existe uma tendência familiar para o desenvolvimento de HBP, sobretudo se existe uma história familiar de próstatas de grandes dimensões e de doentes com idades mais jovens.

SINTOMAS DE HBP (AUMENTO BENIGNO DA PRÓSTATA)

DIAGNÓSTICO DE HBP

Como noutras situações clínicas, o diagnóstico é feito através de um conjunto de dados provenientes da história cínica e do exame objectivo, posteriormente confirmados pelos exames complementares de diagnóstico adequados à situação clínica. A história clínica cuidadosa é a base do diagnóstico. Um exame objectivo dirigido é também fundamental para confirmar os dados daquela.

HISTÓRIA CLÍNICA

Na realização da história clínica, devem ser avaliados os sintomas presentes, a duração dos mesmos, a sua evolução ao longo do tempo, a repercussão que apresentam sobre o bem estar e a qualidade de vida da pessoa. Habitualmente os sintomas agravam-se progressivamente com a idade, mas esta não é uma regra absoluta; há situações em que os sintomas estabilizam ou mesmo melhoram espontaneamente. Muito frequentemente, as queixas são flutuantes ao longo do tempo, com um ligeiro agravamento progressivo.

Devem pesquisar-se outras causas possíveis de queixas urinárias, rever os hábitos dos doentes e os medicamentos que toma, a existência da outras doenças ou cirurgias anteriores. Deve ser inquirido se existiu, no passado, alguma algaliação ou infecções da uretra.